Terça-feira, 18 de junho de 2024

Ninguém é velho demais para ter uma infecção sexualmente transmissível

No fim desse mês, entre os dias 27 e 30, será realizado o 34º Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas (European Congress of Clinical Microbiology and Infectious Diseases), em Barcelona. A direção do evento liberou, antecipadamente, pesquisa com dados alarmantes: um número cada vez maior de idosos vem sendo diagnosticado com algum tipo de infecção sexualmente transmissível (IST) – a expressão antes usada, “doenças sexualmente transmissíveis” (DST), foi abandonada. A mudança se deu porque a adotada destaca a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção mesmo sem sinais ou sintomas.

Entre os norte-americanos na faixa etária dos 55 aos 64 anos, o número de infecções dobrou na última década; no Reino Unido, os diagnósticos de sífilis e gonorreia acima dos 45 também duplicou de 2015 a 2019. A avaliação é de que as campanhas de saúde ignoram as necessidades e o comportamento dos idosos.

A utilização de medicamentos contra a disfunção erétil, disponíveis desde os anos de 1990, mudou o panorama erótico de muitos idosos, mas trouxe riscos para os mais velhos, resistentes ao uso de preservativos. Um em cada seis adultos do planeta terá 60 anos ou mais em 2030. É fundamental que os profissionais de saúde tratem do assunto com seus pacientes: a saúde sexual faz parte do bem-estar de qualquer indivíduo.

No congresso, a médica Justyna Kowalska, professora da Universidade de Varsóvia, será a responsável por apresentar os dados consolidados que incluem diversos países. No entanto, ela alerta que as informações disponíveis subestimam a dimensão do problema: “Muitas pessoas mais velhas não procuram a ajuda do sistema de saúde para evitar algum tipo de estigma ou por se sentirem embaraçadas com a situação. Lidamos com um cenário desafiador, que soma diversas variáveis: aumento na taxa de divórcios, drogas para a disfunção sexual, popularização dos aplicativos para encontros e a dispensa do uso de preservativos quando as mulheres já estão na pós-menopausa e não há risco de gravidez”.

Estereótipos e preconceitos envolvendo a velhice só pioram a situação. Como frisou a especialista, as pessoas não se tornam assexuadas quando envelhecem – na verdade, com o aumento da expectativa de vida e a adoção de um estilo de vida saudável, a tendência é o prolongamento da satisfação sexual por um tempo indeterminado. Estudo realizado no Reino Unido mostrou que metade dos homens e um terço das mulheres acima dos 70 relataram ser sexualmente ativos, assim como 46% dos suecos acima dos 60.

As pesquisas ainda apontam um nível de desejo e frequência sexual maiores entre os homens. Nos Estados Unidos, um levantamento envolvendo 420 mil casais dos 67 aos 99 anos revelou que a viuvez estava associada a um risco mais alto para IST para eles, mas não para elas. “As campanhas sobre sexo seguro deveriam incluir esse grupo. Ignorá-lo é uma manifestação de preconceito”, resumiu a professora Kowalska.

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