Domingo, 19 de maio de 2024

No encontro, Bolsonaro conclamou as 27 pessoas presentes a garantirem sua reeleição

A gravação de uma reunião, datada de 5 de julho de 2022, realizada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) com sua equipe mostra que o ex-chefe do Executivo concordava com uma ação de aliados antes das eleições com vistas a garantir um segundo mandato. Ele ainda ordena que seus ministros atuem para questionar o processo eleitoral.

As imagens, obtidas e reveladas na sexta-feira (9), foram apontadas pela Polícia Federal como indícios do “arranjo de dinâmica golpista, no âmbito da alta cúpula do governo”.

No vídeo é possível ver Jair Bolsonaro nitidamente destemperado, desferindo ataques ao seu adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem se referia como “satanás”, bem como ofensas contra os ministros do Supremo Tribunal Federal, em especial Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso.

Em uma das declarações filmadas, Bolsonaro continua desferindo ataques contra o sistema eleitoral, afirmando que não se reelegeria mesmo tendo maioria absoluta de votos. Na gravação, ele aponta que uma reação por parte de seu grupo após o resultado do pleito geraria “um caos no Brasil”. A ação, defende, deveria ser tomada antes do pleito.

“Nós sabemos que, se a gente reagir depois das eleições, vai ter um caos no Brasil, vai virar uma grande guerrilha, uma fogueira no Brasil. Agora, alguém tem dúvida que a esquerda, como está indo, vai ganhar as eleições? Não adianta eu ter 80% dos votos. Eles vão ganhar as eleições”, disse Bolsonaro.

Durante toda a reunião, Bolsonaro ordena que seus ministros atuem para questionar o processo eleitoral, condição que permitiu uma escalada nas ações promovidas por seus apoiadores, ocasionando na tentativa de golpe do 8 de Janeiro. O mecanismo foi descrito como parte das funções do núcleo golpista desmantelado pela PF na operação desta quinta-feira.

“Todos aqui têm uma inteligência bem acima da média. Todos aqui, como todo povo ali fora, têm algo a perder. Nós não podemos, pessoal, deixar chegar as eleições e acontecer o que está pintado, está pintado. Eu parei de falar em voto imp… e eleições há umas três semanas. Vocês estão vendo agora que… eu acho que chegaram à conclusão. A gente vai ter que fazer alguma coisa antes”, afirma o então presidente.

Bolsonaro ainda defende que a Comissão de Transparência do Tribunal Superior Eleitoral emita uma nota afirmando que “a lisura das eleições são (sic) simplesmente impossíveis de ser (sic) atingidas”. Ele ainda incita que a nota poderia ser apoiada pelo Ordem dos Advogados do Brasil.

Tom exaltado

Em um momento de maior destempero, o ex-capitão grita com seus ministros:

“Vocês sabem o que está acontecendo. Achando que esses caras estão de brincadeira? “Ah, vamos lá…” Não estão de brincadeira. O que está em jogo é o bem maior que nós temos e contamos aqui na terra, que é a porra da liberdade. Mais claro, impossível. Nós [inaudível] vamos ter que reagir”, esbravejou, conforme mostra o vídeo divulgado pelo jornal.

Bolsonaro também afirma, durante o encontro, que o TSE errou ao convidar as Forças Armadas para integrar o comitê de transparência eleitoral, admitindo que poderia ter se beneficiado disso, imputando às forças de segurança uma conivência com os planos golpistas.

“O TSE cometeu um erro [inaudível] quando convidou as Forças Armadas para participar da comissão de transparência eleitoral. Cometeu um erro. Eles erraram. Pra nós, foi excelente. Eles se esqueceram que sou o chefe supremo das Forças Armadas?”, comentou.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de em foco

Partido de Bolsonaro planeja triplicar o número de prefeituras eleitas e passar dos mil municípios comandados pela sigla
Justiça Militar vai ser obrigada a agir numa das maiores crises da política brasileira com o envolvimento das Forças Armadas
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play