Sexta-feira, 24 de maio de 2024

Novas regras do empréstimo consignado podem aliviar o bolso do aposentado pelo INSS

No início de março, o empréstimo consignado para aposentados, pensionistas e beneficiários do INSS passou por mudanças significativas. A redução do teto da taxa de juros e aumento nas margens e prazos tornaram a modalidade mais atrativa para quem deseja ter dinheiro extra, seja para auxiliar nas despesas ou para utilizar em algum objetivo pessoal.

No entanto, contratar o produto sem cuidado pode se tornar um peso que acaba por desequilibrar as finanças.

No dia 4 entrou em vigor o novo teto da taxa de juros — 1,72% ao mês — para empréstimos consignados e 2,55% ao mês para operações de cartão de crédito consignado para aposentados, pensionistas e beneficiários da Previdência Social. Ele representa o valor máximo a ser cobrado. Além disso, o total do que pode ser comprometido com o empréstimo subiu para 45%, sendo 35% para empréstimo pessoal, e 10% distribuídos entre cartão de crédito e cartão de benefício.

As novas regras podem atrair clientes interessados em condições mais vantajosas. No entanto, é essencial ponderar sobre a finalidade do empréstimo e o impacto da dívida na renda mensal. De acordo com o INSS, somente no Estado do Rio de Janeiro, os 3.213.140 beneficiários totalizavam R$ 240.492.791,02 em empréstimos consignados no mês de fevereiro.

O professor Helinton Couto, de 50 anos, recorreu a um empréstimo antes da redução das taxas. “Mesmo com esse desconto que houve agora decretado pelo governo, o juro ainda é altíssimo, um dos maiores do mundo. Então, se não se preocupar com os juros finais, você em médio prazo começa a ter problemas financeiros”, alerta.

Couto considera arriscado levar em conta apenas as parcelas. “A maioria das pessoas tende a ser atraída pelas parcelas. O problema é que, às vezes, começam a acumular e ficam altas, atrapalhando o orçamento familiar. Viram uma bola de neve”, disse.

Para o consultor João Adolfo de Souza, embora seja uma ferramenta valiosa, é crucial utilizar o consignado com responsabilidade. “É preciso evitar empréstimos desnecessários ou exceder a capacidade de pagamento. Antes de solicitar, uma análise criteriosa de finanças é essencial para garantir que a parcela a ser descontada mensalmente esteja alinhada com o orçamento do solicitante”, disse.

Além disso, antes de assinar qualquer contrato de empréstimo consignado, o especialista recomenda ler atentamente todas as cláusulas. “Certifique-se de entender os termos, as condições e as taxas envolvidas. Se houver dúvidas, não se deve hesitar em procurar a orientação de um especialista”, explica.

Média de 1,6%

De acordo com o Banco Central, a média de juros cobrada pelos principais bancos do país para o consignado no mês de fevereiro foi de 1,6%. O valor, abaixo do teto estipulado pelo Governo Federal, reflete a competitividade entre as instituições financeiras para oferecer o produto aos beneficiários.

O aposentado ou pensionista que tiver interesse em contratar um empréstimo consignado também pode consultar as taxas praticadas pelos bancos no aplicativo ou site do Meu INSS.

Confira os bancos que oferecem as melhores taxas na primeira quinzena de fevereiro.

* Banco Cooperativo Do Brasil (Bancoob): 1.35%
* Banco Imbursa SA: 1.50%
* Banco Paulista SA: 1.51%
* Qi Sociedade De Crédito Direto SA: 1,54%
* Banco Bradesco Financiamentos: 1.55%
* Nu Financeira: 1,55%
* Banco Seguro SA: 1.56%
* Banco Arbi: 1,56%
* Banco Cfi SA: 1,56%
* Banco Inter SA: 1,57%
* Banco Daycoval SA: 1.58%
* Banco Agibank SA: 1.59%
* Cetelem – BNP: 1,59%
* Zema CFI SA – 1,6%
* Bari SA – 1,61%
* Pic Pay Bank – 1,61%
* Senff SA: 1,61%
* Banco Cooperativo Sicredi SA: 1.62%

Economia

Uma das chances de reduzir custos é fazer a portabilidade da dívida para bancos que oferecem condições melhores. No entanto, é importante que os beneficiários estejam cientes dessa opção e comparem as taxas antes de tomar uma decisão.

De acordo com o consultor financeiro e criador da plataforma S.O.S. Dívidas, Emanuel Gonçalves da Silva, essa possibilidade é relevante para empréstimos de longo prazo, como financiamentos imobiliários, em que pequenas diferenças nas taxas de juros podem resultar em economias significativas ao longo do tempo.

“Eu acho interessante o cliente ficar sempre atento às taxas que outras instituições estão praticando e tentar fazer a portabilidade o quanto antes, para ter uma melhor condição e pagar menos”, sugere. Segundo o consultor, é possível até pegar um dinheiro extra devidos aos juros menores.

“Os bancos sempre tem a intenção de emprestar dinheiro, então quando se faz o recálculo da dívida, é possível pagar o mesmo valor de parcela e ainda pegar uma quantia extra, devido à abertura da margem”, ressalta.

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