Quarta-feira, 27 de maio de 2026

Novo marqueteiro amplia crise na campanha de Flávio Bolsonaro

A troca no comando do marketing da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro ampliou a crise interna no entorno do pré-candidato do PL à Presidência da República e expôs divergências entre aliados bolsonaristas em meio ao desgaste provocado pelo caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A saída de Marcello Lopes, conhecido como “Marcellão”, e a chegada do publicitário Eduardo Fischer provocaram desconforto dentro da campanha. Integrantes do PL avaliam que a mudança ocorreu em um dos momentos mais delicados da pré-candidatura de Flávio, que enfrenta pressão após a divulgação de áudios em que pede recursos financeiros a Vorcaro para concluir o filme “Dark Horse”, produção em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A crise ganhou força nas últimas semanas, depois que aliados passaram a questionar a condução da comunicação da campanha. Segundo reportagem da CNN Brasil, a coordenação da pré-candidatura chegou a discutir a substituição de Marcello Lopes após ele viajar aos Estados Unidos no momento em que o escândalo envolvendo o Banco Master veio à tona. Integrantes da equipe consideraram que o marqueteiro deveria ter interrompido a viagem e retornado ao Brasil para atuar diretamente no gerenciamento da crise.

Apesar das críticas internas, Flávio resistia à mudança por manter relação próxima com o publicitário. Uma das alternativas debatidas nos bastidores era manter Marcello em uma função mais consultiva, evitando ampliar ainda mais o desgaste político da campanha.

A troca acabou sendo confirmada dias depois. Eduardo Fischer, um dos nomes mais conhecidos da publicidade brasileira, assumiu o comando da estratégia de comunicação com a missão de reorganizar a pré-campanha e conter os danos à imagem do senador. Fischer é conhecido por campanhas publicitárias de grande repercussão nacional e foi indicado pelo senador Rogério Marinho, um dos coordenadores da campanha.

Nos bastidores, porém, a escolha também gerou resistência. Aliados de Flávio afirmam reservadamente que Fischer possui pouca experiência em campanhas eleitorais e que chega pressionado para administrar uma crise já instalada dentro do partido. Reportagem da Revista Liberta apontou que integrantes do entorno bolsonarista consideram que a substituição pode ter agravado a instabilidade interna da campanha.

Além do desgaste envolvendo o Banco Master, a pré-candidatura enfrenta dificuldades para consolidar alianças políticas e reduzir índices de rejeição. O episódio também abriu espaço para movimentações de possíveis adversários no campo da direita, como os governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), que passaram a intensificar agendas nacionais enquanto aliados de Flávio tentam conter os impactos da crise.

Nos bastidores do PL, a avaliação é de que os próximos meses serão decisivos para a recuperação da imagem do senador e para a reorganização da campanha presidencial bolsonarista. Enquanto isso, a troca de marqueteiro passou a simbolizar as dificuldades enfrentadas pela pré-candidatura em meio às disputas internas e ao avanço das investigações relacionadas ao caso Master.

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