Segunda-feira, 03 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 2 de agosto de 2026
Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 12,61 bilhões entre janeiro e junho deste ano, de acordo com levantamento divulgado pelo Banco Central (BC). Trata-se de um crescimento de 22,5% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 10,3 bilhões) e também o maior valor para um primeiro semestre desde 1995.
Esse aumento de gastos no exterior acontece em um momento de queda na cotação da moeda norte-americana, o que barateia as viagens a outros países. Passagens, despesas com hotéis e gastos com produtos e serviços no exterior, por exemplo, são influenciados ou cotados em moeda estrangeira.
Com isso, quando o dólar está mais baixo, os brasileiros acabam tendo gastos menores com esses itens.
Nesta segunda-feira (27), o dólar fechou em alta de 0,60%, cotado a R$ 5,11. Mesmo assim, no ano, o recuo acumulado foi de 6,87%.
A queda do dólar acontece em meio à tensões no Oriente Médio. A percepção do mercado é de que o Brasil, por ser um exportador de petróleo, se encontra em situação melhor do que outras economias e que a venda do produto contribui para o ingresso de divisas no país (valorizando o real).
Ao mesmo tempo, a economia brasileira segue registrando crescimento, apesar da desaceleração. A atividade econômica é outro fator que costuma influenciar os gastos lá fora.
Contas externas
Ainda de acordo com o BC, o déficit das contas externas brasileiras recuou 16,34% no primeiro semestre deste ano. O termo “déficit” indica que as despesas foram maiores do que as receitas no período.
De acordo com a instituição, a conta de transações correntes registrou saldo negativo de US$ 27,47 bilhões nos seis primeiros meses deste ano, em comparação com um rombo de US$ 32,85 bilhões no mesmo período do ano passado.
O resultado em transações correntes, um dos principais indicadores sobre o setor externo do País, é formado por:
– Balança comercial: que é o comércio de produtos entre o Brasil e outros países.
– Serviços: adquiridos por brasileiros no exterior.
– Rendas: remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o Exterior.
O Banco Central costuma explicar que o tamanho do rombo das contas externas está relacionado com o crescimento da economia. Quando cresce, o País demanda mais produtos do exterior e realiza mais gastos com serviços também. Com a desaceleração da economia, o déficit tende a diminuir.
O BC também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira registraram aumento no primeiro semestre de 2026. Foram US$ 47 bilhões entre janeiro e junho, contra US$ 35,4 bilhões no mesmo período em 2025. Mesmo com a queda, foram suficientes para financiar o déficit em transações correntes registrado nos dois primeiros meses deste ano. (com informações de O Globo)