Segunda-feira, 17 de junho de 2024

Novo remédio mais eficiente que o Ozempic, tirzepatida proporciona redução de até 16% do peso

Embora tenha sido inicialmente desenvolvida para diabetes tipo 2, a semaglutida – princípio ativo dos medicamentos Ozempic e Wegovy – tornou-se uma importante arma no tratamento da obesidade ao proporcionar a maior redução de peso por meio de um medicamento até o momento. Mas, uma nova geração da classe de fármacos da qual a semaglutida faz parte mostrou ter um efeito ainda maior: a tirzepatida.

Desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, o Mounjaro (nome comercial do remédio) já tem o aval nos Estados Unidos para o tratamento da diabetes tipo 2, assim como o Ozempic, e pode receber aprovação para obesidade ainda neste ano – como é o caso do Wegovy, versão da sameglutida com doses maiores.

O laboratório pretende completar o pedido de sinal verde com a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos EUA, nas próximas semanas. “Esperamos uma ação regulatória já no final de 2023”, disse. No Brasil, o Mounjaro está em análise pela Anvisa para pacientes diabéticos, ainda sem previsão para o objetivo de redução de peso.

Mesmo assim, a expectativa é de que num futuro próximo a tirzepatida seja mais um medicamento no arsenal para tratar a obesidade, com resultados indicando potencial superior ao da semaglutida. Nesta quinta-feira, a Eli Lilly anunciou dados mais recentes dos estudos clínicos de fase 3 que avaliam esse potencial de emagrecimento.

De acordo com o comunicado da farmacêutica, depois de um acompanhamento de 938 participantes em países como Estados Unidos, Argentina e Brasil, foi observado que a injeção semanal do Mounjaro levou a uma redução de até 15,7% do peso (15,6 kg nos testes) entre os voluntários, que tinham obesidade ou sobrepeso e diabetes. O estudo durou 72 semanas – cerca de um ano e meio.

“A obesidade é uma doença difícil de controlar, e é ainda mais difícil para as pessoas que vivem com diabetes tipo 2”, disse Jeff Emmick, MD, Ph.D., vice-presidente sênior, desenvolvimento de produtos, Lilly, em comunicado.

O potencial é superior ao observado nos estudos com a semaglutida para emagrecimento. De acordo com um trabalho publicado na revista científica New England Journal of Medicine, em 2021, a substância do Ozempic proporcionou uma perda de até 14,9% do peso.

Esse não é também o primeiro resultado de eficácia da tirzepatida divulgado pela Eli Lilly. Publicado também no periódico New England Journal of Medicine, um outro estudo que avalia esse potencial constatou uma redução de até 21% do peso corporal.

Com uma análise de 2.539 participantes adultos não diabéticos durante um ano e meio, a média de perda foi de 15% do peso, mas alcançou até 20,9% entre os voluntários que receberam doses maiores. Neste último grupo, a diferença representou até 23,6 kg a menos.

Os novos dados corroboram essa alta eficácia da tirzepatida, e mostram que ela permanece elevada mesmo entre os indivíduos que têm diabetes além de obesidade, grupo que pode ter maior dificuldade para emagrecer.

O que é a tirzepatida e quais os riscos?

A semaglutida, do Ozempic, é um medicamento da classe chamada análogos de GLP-1, que simulam o hormônio GLP-1 no corpo humano. A substância é produzida normalmente ao se comer no intestino, e existem receptores em diversas partes do corpo, como no cérebro, onde o hormônio ativa a sensação de saciedade.

Já a tirzepatida é um chamado duplo agonista, porque simula não apenas o GLP-1, como também o GIP – outro hormônio que tem atuação semelhante. Essa combinação é a responsável pela eficácia superior do fármaco.

Os efeitos colaterais da tirzepatida são também parecidos com aqueles observados na semaglutida: “os eventos adversos relatados com mais frequência foram relacionados ao trato gastrointestinal e geralmente de gravidade leve a moderada, geralmente ocorrendo durante o período de escalonamento da dose”, disse a farmacêutica. “Náuseas, diarreia, vômitos e constipação foram relatados com mais frequência em comparação com o placebo”.

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