Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O avanço nas investigações sobre as fraudes do Banco Master rachou o Supremo

Com o avançar das inves­ti­ga­ções sobre as frau­des do Banco Mas­ter, fica cada vez mais claro o racha causado no Supremo Tri­bu­nal Fede­ral (STF). No epi­cen­tro do caso, Dias Tof­foli se des­taca como o relator sal­pi­cado pelo escân­dalo. Ale­xan­dre de Moraes tam­bém faz uma ponta no caso. Nos bas­ti­do­res, minis­tros da Corte se divi­dem entre crí­ti­cas e aplau­sos à dupla.

Em cará­ter reser­vado, um minis­tro ava­lia que con­du­tas ado­ta­das por Tof­foli com­pro­me­tem a cre­di­bi­li­dade do tri­bu­nal. O rela­tor impôs ele­vado grau de sigilo à apu­ra­ção, pegou carona em um voo par­ti­cu­lar com um advo­gado da causa, deter­mi­nou aca­re­a­ção de inves­ti­ga­dos durante o recesso e man­dou entre­gar itens apre­en­di­dos no STF.

A par­ti­ci­pa­ção indi­reta de Moraes tam­bém inco­moda uma ala do STF. Sua esposa, Vivi­ane de Moraes, man­tém con­trato mili­o­ná­rio com o Mas­ter. O pre­si­dente da Corte, Edson Fachin, está no time dos cau­te­lo­sos. Observa a dis­tân­cia, mas de forma atenta, o com­por­ta­mento dos cole­gas.

De outro lado, minis­tros mais pró­xi­mos de Tof­foli e de Moraes acre­di­tam que as notí­cias sobre a dupla pos­sam fazer parte de um movi­mento maior de pres­são ao Supremo. Uma espé­cie de “ope­ra­ção abafa” para con­ter a inves­ti­ga­ção.

No domingo, o jornal O Estado de S. Paulo reve­lou que empre­sas liga­das a irmãos de Tof­foli tive­ram como sócio um fundo de inves­ti­men­tos conec­tado aos negó­cios do Mas­ter. Três dias depois, Tof­foli mos­trou que não está dis­posto a retro­ce­der e auto­ri­zou 42 bus­cas e apre­en­sões em ende­re­ços liga­dos a Daniel Vor­caro e fami­li­a­res.

Ao mesmo tempo, cresce no Con­gresso a ideia de uma CPMI para inves­ti­gar rela­ções de minis­tros do STF com a trama. No dia ante­rior à segunda fase da ope­ra­ção da PF, um minis­tro do tri­bu­nal disse estar pre­o­cu­pado não com a pres­são sobre o STF, mas com even­tual a revan­che dos cole­gas con­tra o suposto vaza­mento de infor­ma­ções.

Cir­cu­lou entre minis­tros do STF a infor­ma­ção de que Moraes man­da­ria inves­ti­gar se a Receita Fede­ral e o Coaf haviam divul­gado de forma ile­gal dados sigi­lo­sos de paren­tes de minis­tros da Corte. Moraes fez isso e não comu­ni­cou nada aos cole­gas. A asses­so­ria do tri­bu­nal não con­fir­mou nem des­men­tiu o fato.

Outro minis­tro diz con­si­de­rar impor­tante ave­ri­guar se houve o vaza­mento de dados. Até agora, os minis­tros não deram decla­ra­ções públi­cas sobre o Mas­ter. Sabem que qual­quer vír­gula fora do lugar pode dei­xar o tri­bu­nal ainda mais vul­ne­rá­vel a ata­ques.

No fim de 2025, a aposta em Bra­sí­lia era que o recesso esfri­a­ria a pres­são polí­tica decor­rente das inves­ti­ga­ções do caso Mas­ter. É mais garan­tido apos­tar que, com ou sem recesso, o escân­dalo vai con­ti­nuar ali­men­tando a ten­são entre os Pode­res.

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