Domingo, 12 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de julho de 2026
O banqueiro Daniel Vorcaro encomendou ao publicitário Thiago Miranda dossiês com informações pessoais e monitoramento de André Esteves, sócio do BTG Pactual. Os dois banqueiros eram concorrentes e desafetos.
A Polícia Federal deflagrou na quinta-feira uma operação para investigar a atuação do publicitário Thiago Miranda, que agiu ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para intimidar pessoas consideradas “obstáculos” ao banqueiro, entre elas o CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, e a jornalista Malu Gaspar, colunista do portal O Globo.
Miranda é ex-sócio do portal Leo Dias e dono da agência Mithi, que contratou influenciadores para uma operação de “marketing de guerrilha” nas redes sociais em favor do Master e contra a liquidação movida pelo BC.
De acordo com o Estado de S.Paulo, Vorcaro encomendou informações sobre Esteves ao longo do ano passado. Um dos documentos apresenta informações pessoais e financeiras do banqueiro do BTG, incluindo dados sensíveis e registros de acesso restrito aos órgãos de segurança.
Também havia material que rastreava os vínculos de André Esteves com empresas. Pessoas que acompanham a investigação apontam que o material foi enviado diretamente para o celular de Vorcaro.
Disputa de banqueiros
Em março, a colunista Malu Gaspar revelou como o banqueiro enxergava sua disputa com o dono do BTG Pactual, André Esteves, que ele acusava nos bastidores de atuar para prejudicá-lo.
O histórico das conversas entre Vorcaro e a então namorada Martha Graeff revela uma longa sequência de críticas e ressentimentos do executivo em relação a Esteves. Em vários momentos, ele se queixa de matérias negativas que julga terem sido plantadas pelo rival, e chega a dizer que, durante os treinos de luta, pensava em Esteves para melhorar seu desempenho. Na última mensagem enviada a Moraes antes de ser preso, ele diz esperar “batidas do Esteves” no negócio que acabara de anunciar e que nunca se concretizaria, com o grupo Fictor.
No auge da repercussão da compra da instituição pelo BRB, divulgada no fim de março, o banqueiro confidenciou a Martha no dia 31 que achava “muito ruim” a exposição provocada pela divulgação do negócio e reclamou sobre a quantidade de jornalistas “descendo o cacete”, mas admitiu que “não tinha o que fazer” a não ser “encarar essa”.
Ao saber disso, Martha pergunta se Vorcaro achava que “ia dar certo” a negociação com o BRB. Ele responde que sim e ela questiona sobre “o André” – que, naquele dia, tinha estado com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para discutir o caso do BRB.
Quando Martha pergunta “E o André”, Vorcaro responde: “Não entro em guerra pra perder com o Senhor dos Exércitos”.
A expressão tem um duplo sentido. Por um lado, reflete a narrativa que Vorcaro repetia para políticos e interlocutores do mercado financeiro. O BTG tinha participado meses antes de uma discussão com o próprio BC e outros grandes bancos para comprar o Master por 1 real, que não foi adiante porque o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) não aceitou ficar com os passivos. Era uma discussão conjunta, mas Vorcaro dizia que Esteves o comandava.
Naquele momento, além de Esteves, vários CEOs e controladores de bancos procuraram o BC para falar contra o negócio com o BRB, já antecipando que o prejuízo recairia na conta do FGC, financiado principalmente pelos bancões — Santander, Bradesco, Itaú e BTG. Para esses bancos, o BC devia partir para a liquidação para impedir que o rombo do fundo com o Master aumentasse.
Em sua versão, repetida à namorada, Vorcaro dizia que ele e o Master — um banco em trajetória ascendente — eram perseguidos. Nessa narrativa, Esteves ocupava o papel de principal antagonista da disputa.
Mas a figura do Senhor dos Exércitos, usada neste episódio de forma jocosa, também remete ao vínculo da família Vorcaro com a Igreja Batista Lagoinha. A expressão é recorrente entre fiéis evangélicos para se referir a Deus, e o banqueiro já a utilizou em outros momentos com a namorada. Com informações do portal O Globo.