Segunda-feira, 27 de julho de 2026

O ex-poderoso MDB decidiu não lançar candidato à Presidência da República ou mesmo firmar coligações nacionais para eleições deste ano

Sem lançar um nome próprio, o MDB anunciou nessa segunda-feira (27), durante a convenção nacional do partido, que ficará neutro e não apoiará nenhum candidato à Presidência em 2026. A sigla definiu que os diretórios estaduais poderão decidir a quem se aliarão de acordo com a disputa local.

Segundo o MDB, a prioridade das cúpulas nos estados será formar alianças locais para ajudar a eleger governadores, senadores, deputados federais e estaduais emedebistas.

“A liberação nacional acaba unindo e pacificando, deixando o partido mais forte para que nos estados tenha um resultado bastante positivo”, disse o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi (SP). Ele é candidato à reeleição na Casa.

A decisão pela neutralidade se dá diante da fragmentação do apoio do partido já existente nos estados. No Nordeste e no Norte, uma parcela da sigla deve endossar a reeleição de Lula (PT), enquanto outra deve se alinhar ao pré-candidato do PL ao cargo, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), principalmente no Sul e Centro-Oeste.

Em comunicado, o MDB disse que é preciso “compreender a realidade e o histórico eleitoral de cada estado” e que a neutralidade foi adotada mirando o “fortalecimento das bases estaduais para garantir resultados positivos em todo o país”.

“O MDB é um partido cujo estatuto respeita a força dos diretórios estaduais obtida no último pleito, sobretudo refletindo o resultado da última eleição para a chapa majoritária. Em suma, quem tem mais votos do eleitor comum tem mais força interna”, afirma a nota à imprensa.

Durante a convenção nacional, realizada de forma online, também foram oficializados candidatos do MDB em 24 estados.

Em Alagoas, o ex-ministro dos Transportes e aliado de Lula, Renan Filho, vai disputar o governo. Já em São Paulo Felício Ramuth vai tentar a reeleição na vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos principais herdeiros do bolsonarismo.

Há ainda casos de indefinição. No Distrito Federal, onde elegeu Ibaneis Rocha por dois mandatos ao Palácio do Buriti, o MDB foi rifado da chapa majoritária da governadora Celina Leão (PP) e está dividido se apoia a atual chefe do Executivo local ou lança um nome próprio.

No último pleito presidencial, o MDB lançou a ex-ministra e ex-senadora Simone Tebet, hoje no PSB. Ela não chegou ao segundo turno, mas foi a terceira mais votada, com cerca de 5 milhões de votos (4,16%), e decidiu apoiar o presidente Lula no embate direto com Jair Bolsonaro (PL).

Tebet deixou o partido e se filiou ao PSB no fim de março para disputar o Senado por São Paulo na chapa encabeçada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) ao governo paulista, que vai reeditar a disputa de 2022 com Tarcísio.

Lula chegou a procurar partidos do centrão e queria que o vice de sua chapa fosse do MDB para isolar Flávio Bolsonaro, conseguir mais tempo de campanha na TV e reforçar a mensagem de frente ampla propagada por ele na eleição de 2022. No entanto, a pré-campanha petista decidiu repetir a dobradinha com Geraldo Alckmin (PSB). Com informações da Folha de S. Paulo.

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