Sábado, 22 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 22 de agosto de 2026
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou uma nova investigação da Polícia Federal (PF) sobre vazamentos relacionados ao inquérito que apura fatos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na decisão, o magistrado afirmou que jornalistas não são alvo da apuração e ressaltou que a investigação deve se concentrar naqueles que tinham a responsabilidade de preservar o sigilo das informações.
A determinação ocorreu em meio a mais um episódio de divergência entre Mendonça e os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. A manifestação do ministro também ocorre em um contexto de discussões na Corte sobre o sigilo da fonte jornalística e os limites da atuação do Judiciário em investigações que envolvem informações divulgadas pela imprensa.
Ao determinar que a PF volte a apurar os vazamentos, Mendonça afirmou que o foco deve estar naqueles que violaram o sigilo do processo, “que não são profissionais jornalistas (com ou sem diploma)”. A referência foi interpretada como uma crítica indireta a posições defendidas anteriormente por Moraes e Dino, que se manifestaram favoravelmente à retomada da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, exigência que vigorou no país durante parte do período da ditadura militar.
Moraes e Dino também estão envolvidos em uma controvérsia relacionada ao sigilo da fonte em uma investigação no Maranhão. O caso teve origem após um jornalista divulgar informações sobre o uso de carros oficiais pela família de Flávio Dino, que atualmente é ministro do STF. Na sequência, Moraes determinou uma operação de busca e apreensão contra o jornalista e também ordenou a apuração sobre a suposta fonte responsável pelo fornecimento das informações.
Na decisão sobre o caso envolvendo Lulinha, Mendonça destacou que a Polícia Federal deve observar de forma rigorosa a garantia constitucional do sigilo da fonte. O ministro afirmou que a investigação deve se concentrar nos responsáveis pela guarda das informações, e não nos jornalistas que tiveram acesso aos dados e os divulgaram.
Segundo Mendonça, a apuração deve identificar aqueles que “teriam o dever de custodiar o material sigiloso e o violaram” no inquérito em tramitação no Supremo. A manifestação reforça a distinção, apontada pelo ministro, entre a divulgação jornalística de informações de interesse público e a eventual violação do dever de manter sob sigilo documentos e dados protegidos por decisão judicial.
Mendonça é responsável atualmente por dois inquéritos relacionados a Lulinha no STF. Um terceiro procedimento sobre o caso está sob relatoria de Flávio Dino, que também determinou a investigação de vazamentos de informações relacionados à apuração.
As divergências entre ministros do Supremo ocorrem paralelamente a outros debates sobre a atuação da Corte e questões envolvendo instituições públicas. Em outro assunto, o ex-presidente do STF Luís Roberto Barroso afirmou que o combate ao crime organizado deve ocupar posição prioritária na agenda do país durante o período eleitoral.
Barroso também fez elogios às investigações relacionadas ao caso Master e ao sistema de urnas eletrônicas. Durante evento promovido pelo Grupo Lide, o ex-ministro afirmou que o avanço do crime organizado e sua aproximação com setores da economia formal e da política representam um desafio institucional.
“O crime organizado é um desafio, principalmente a confluência do crime com a economia formal e a política. Isso precisa estar no topo das preocupações para não passarmos por processo de captura das instituições. Não importa quem ganhe as eleições”, afirmou Barroso a empresários durante o evento. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)