Terça-feira, 25 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de agosto de 2026
O Produto Interno Bruto (PIB) per capita mundial passou a superar o brasileiro de forma consistente a partir de 2015, período marcado pelo início de uma das mais profundas recessões da economia nacional. Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que, desde então, o Brasil não conseguiu recuperar a posição registrada anteriormente em relação à média global.
A comparação faz parte de uma análise publicada pelo Estadão e considera os valores do PIB per capita calculados em Paridade do Poder de Compra (PPP, na sigla em inglês), metodologia utilizada para reduzir as distorções provocadas pelas diferenças de preços entre países.
Segundo os dados, entre 1980 e 2025 o PIB per capita global passou de US$ 3.380,47 para US$ 26.188,94, uma alta de 675%. No Brasil, o indicador avançou de US$ 4.427,94 para US$ 23.380,98 no mesmo período, crescimento de 428%.
O ponto de mudança ocorreu em 2015. Naquele ano, o PIB per capita mundial ultrapassou o brasileiro e permaneceu acima desde então. O período coincidiu com a recessão que atingiu o país em 2015 e 2016, quando a economia brasileira registrou retrações superiores a 3% em cada um dos dois anos.
Para Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia e análise setorial da Tendências Consultoria, a dificuldade está relacionada à falta de continuidade do crescimento econômico. “Esse cenário tem a ver com os nossos solavancos, com essa instabilidade econômica que se traduz em períodos de crescimento mais rápido e, depois, períodos de desaceleração e até de recessão”, afirmou.
A economista acrescentou que o país não conseguiu manter uma trajetória contínua de expansão. O resultado aparece na comparação de longo prazo com outras economias e ajuda a explicar por que o avanço da renda média brasileira ficou abaixo do observado em diferentes grupos de países.
O desempenho brasileiro também ficou atrás das economias avançadas e das emergentes. Entre 1980 e 2025, o PIB per capita das economias avançadas passou de US$ 10.327,44 para US$ 74.516,33, crescimento de 621%. Já o das economias emergentes subiu de US$ 1.499,81 para US$ 18.413,23, alta de 1.128%.
Outro estudo, elaborado com dados da Penn World Table pelo economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, aponta uma mudança no ritmo de crescimento brasileiro ainda no início dos anos 1980. Segundo a análise, o país perdeu dinamismo em relação a economias que apresentavam desempenho semelhante.
Em 2023, de acordo com essa base, o PIB per capita brasileiro era de US$ 18.492. O valor ficou 42% abaixo do que seria registrado caso o país tivesse acompanhado a trajetória de crescimento de Coreia do Sul, Romênia e Botsuana, países utilizados como referência no estudo.
Entre os fatores apontados para o desempenho inferior estão a baixa produtividade, investimentos insuficientes, dificuldades no ambiente de negócios, baixa qualificação da mão de obra e menor integração da economia brasileira às cadeias globais. O setor de serviços também aparece como um dos principais desafios, por concentrar grande parte do PIB e dos empregos do país, mas apresentar baixo crescimento de produtividade nas últimas décadas.