Terça-feira, 18 de junho de 2024

“O pior momento foi o 7 de Setembro de 2021. Pensei que Bolsonaro fosse fazer uma loucura, que fosse fechar o Supremo”, diz o presidente do Partido Liberal

A despeito da desarticulação política do governo e das comissões parlamentares de inquérito criadas no Congresso, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, diz acreditar que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), conseguirá colocar em votação no curto prazo o novo arcabouço fiscal. Ele assegura que seu partido, que tem hoje 12 senadores e 99 deputados, não irá apoiar propostas que elevem a carga tributária. Mas defende mais liberdade para o governo gastar.

“Acho que tem que dar liberdade para o governo. É o governo que tem que fazer a parte dele de segurar [gastos]”, afirmou ele, em entrevista ao Valor.
Diante da falta de entregas do governo, Valdemar Costa Neto relativiza o potencial impacto negativo da operação da Polícia Federal contra Bolsonaro por suposto envolvimento em fraude de cartões de vacina. “Quem está dando um bom momento para o Bolsonaro é o Lula. Porque está parado o governo”, comenta. “Quando você entra na casa de um ex-presidente da República por causa de um cartão de vacina, a tendência disso é jogar ele para o céu. Vai melhorar a situação dele. Isso daí é 50% da facada.

Ele admitiu ter ficado preocupado com a possibilidade de que Bolsonaro “fizesse uma loucura” no dia 7 de Setembro de 2021. “Eu pensei que ele fosse fechar o Supremo.”

A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor:

1) O governo pouco realizou, tem problemas de articulação e o Congresso não votou nada de impacto. Qual é a avaliação que o senhor faz dessa conjuntura?

O grande problema nosso hoje é que o Congresso não cumpre as suas funções de legislar. Então, o Judiciário se sente na obrigação de legislar, hoje eles estão legislando. E o Executivo com a dificuldade que está: cinco meses e eles não conseguem fazer nada. Não estão se entendendo bem no governo, o PT não está se entendendo bem. Eles têm responsabilidade com as coligações, e não estão respondendo bem.

2) O governo Bolsonaro foi muito criticado por abrir buracos no teto de gastos e pela PEC que adiou o pagamento de precatórios. Para o governo Lula, as novas regras fiscais deveriam ser mais restritivas ou dar mais liberdade para o governo gastar?

Acho que tem que dar liberdade para o governo. É o governo que tem que fazer a parte dele de segurar [gastos]. Vamos estar na oposição sempre, mas não em matérias que sejam de interesse público.

3) O ex-presidente Jair Bolsonaro foi alvo de uma operação por suposto envolvimento em fraude de cartões de vacina contra covid. Qual o impacto disso na imagem dele e nos planos do partido?

É um choque você ver a Polícia Federal na casa de um ex-presidente por causa de um cartão de vacina. Veja como acabou mal a Lava-Jato. Não é conselho, porque quem sou eu para aconselhar o Supremo? Mas, quando você entra na casa de um ex-presidente da República por causa de um cartão de vacina, a tendência disso é jogar ele para o céu. Vai melhorar a situação dele. Isso daí é 50% da facada, na minha opinião.

4) O senhor acha que ele ganhou a eleição em 2018 por causa da facada?

Sim, por causa da facada.

5) Outra marca (do governo Bolsonaro) foi o ataque às instituições. Durante a campanha a gente ouviu que os aliados pediam cautela, mas isso não se refletia no comportamento dele. Existe algum arrependimento da parte dele? Por exemplo, quanto ao confronto com as instituições?

Isso sim, foi um erro dele. O pior momento dele com o Supremo foi no Sete de Setembro do ano retrasado [2021]. Porque até eu pensei que ele fosse fazer uma loucura. Eu pensei que ele fosse fechar o Supremo. Eu estava preocupado. Qualquer ato ilegal que você cometa hoje, em qualquer país como o nosso, ninguém apoia. Porque ninguém quer que isso aconteça no país dele. Por exemplo, você pegar Exército, Marinha, Aeronáutica, e dizer: “Lula não vai assumir”. Ninguém apoia.

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