Quarta-feira, 01 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de julho de 2026
A decisão de Michelle Bolsonaro de deixar a presidência nacional do PL Mulher encerra um ciclo de pouco mais de três anos à frente do principal segmento feminino do Partido Liberal (PL). Criado para ampliar a participação das mulheres na política e fortalecer candidaturas femininas da legenda, o grupo ganhou projeção nacional durante a gestão da ex-primeira-dama e se transformou em um dos principais instrumentos de mobilização eleitoral do partido.
O PL Mulher é um órgão interno da sigla responsável por coordenar ações voltadas ao público feminino, promover a formação política de lideranças e incentivar a participação de mulheres nas disputas eleitorais. A estrutura funciona em âmbito nacional, estadual e municipal, reunindo dirigentes responsáveis por organizar eventos, encontros partidários, campanhas de filiação e programas de capacitação para futuras candidatas.
Michelle Bolsonaro assumiu a presidência nacional do grupo em março de 2023, poucos meses após deixar o Palácio do Planalto. Desde então, percorreu diversas regiões do país participando de encontros partidários, convenções e seminários voltados principalmente ao eleitorado conservador, evangélico e feminino. A estratégia buscava ampliar a presença do PL entre as mulheres e preparar a legenda para as eleições municipais de 2024 e para o ciclo eleitoral de 2026.
Sob sua liderança, o PL Mulher intensificou a realização de eventos em diferentes Estados, promovendo debates sobre participação política, empreendedorismo feminino, assistência social e defesa da família. Michelle também passou a atuar como uma das principais representantes do partido em agendas públicas, frequentemente dividindo os palanques com candidatos apoiados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além da mobilização política, o grupo desempenha um papel estratégico no cumprimento da legislação eleitoral, que estabelece percentual mínimo de candidaturas femininas e regras para a destinação de recursos do fundo partidário e do fundo eleitoral às campanhas de mulheres. Nesse contexto, o PL Mulher auxilia na identificação de lideranças, oferece orientação às filiadas e promove ações para ampliar a presença feminina na estrutura partidária.
Durante sua gestão, Michelle também fortaleceu a presença digital do segmento. As redes sociais do PL Mulher passaram a divulgar campanhas institucionais, mensagens voltadas ao público feminino e conteúdos relacionados às atividades do partido. A ex-primeira-dama tornou-se o principal rosto da iniciativa, utilizando sua popularidade para atrair novas filiadas e ampliar a base de apoio da legenda.
Nesta semana, Michelle anunciou que deixará o comando do grupo para dedicar mais tempo à família e aos cuidados com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em carta divulgada nas redes sociais, ela afirmou que a decisão foi tomada após conversar com o marido e refletir sobre o momento vivido pela família.
“Após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, comuniquei minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar integralmente aos cuidados do meu marido e da minha filha”, escreveu.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, elogiou a atuação da ex-primeira-dama e afirmou que sua contribuição foi decisiva para o fortalecimento do segmento feminino da legenda. “Michelle fez um excelente trabalho à frente do PL Mulher. Temos que respeitar sua decisão neste momento”, declarou.
Com a saída de Michelle, a tendência é que a vice-presidente nacional do PL Mulher, Priscila Costa, assuma interinamente a condução do grupo.