Quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

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Ômicron: 4 perguntas ainda sem resposta sobre a nova variante do coronavírus

A ômicron, a nova variante do coronavírus detectada na África do Sul, vem causando preocupação ao redor do mundo e deixando muitas perguntas em aberto.

Ela é mais transmissível? Quem já teve covid pode ser reinfectado por ela? Ela causa sintomas mais graves? E, principalmente, as vacinas atuais vão funcionar contra ela?

Por enquanto, ainda não temos todas as respostas. Ainda vai demorar algum tempo até que todos os detalhes dessa nova variante “altamente mutada” sejam conhecidos. Mas já há pistas.

Na segunda-feira (29), a OMS (Organização Mundial da Saúde) disse que a ômicron representa um “risco muito alto” de surtos de infecções e provavelmente se espalhará ao redor do mundo, com “consequências graves” em alguns lugares.

Confira abaixo quatro perguntas ainda sem resposta sobre a ômicron.

1) A Ômicron é mais transmissível?

Ainda não há dados consolidados sobre a transmissibilidade da ômicron.

Mas cientistas temem que ela seja mais infecciosa do que outras variantes, embora mais estudos sejam necessários para comprovar isso.

A ômicron, originalmente conhecida como B.1.1.529, foi detectada na África do Sul e notificada à OMS em 24 de novembro.

Desde então, se espalhou para mais de uma dezena de países, muitos dos quais reimpuseram restrições de viagens para impedir a propagação da nova variante. O Brasil foi um deles.

Segundo a OMS, houve três picos de casos confirmados de covid na África do Sul até agora, o último dos quais se deveu predominantemente à variante delta, que causou a terceira onda na Europa e matou milhares de pessoas.

Mas, nas últimas semanas, as infecções aumentaram substancialmente no país, coincidindo com a detecção da ômicron. O primeiro caso confirmado dessa nova variante foi de uma amostra coletada em 9 de novembro.

2) Quem já pegou covid pode ser reinfectado pela ômicron?

Também não se sabe, mas, segundo a OMS, “evidências preliminares sugerem que pode haver um risco aumentado de reinfecção com a ômicron, em comparação com outras variantes de preocupação, mas as informações são limitadas”.

Variante de preocupação é o termo usado pela OMS para descrever as variações do coronavírus que oferecem mais risco à saúde pública. Além da ômicron, as outras variantes de preocupação são alpha, beta, gamma (detectada inicialmente em Manaus) e delta.

3) A ômicron causa sintomas mais graves?

Angelique Coetzee, a médica sul-africana que primeiro identificou a ômicron, disse que os pacientes infectados até o momento mostram “sintomas extremamente leves”. Mas, segundo ela, mais tempo ainda é necessário para avaliar o efeito em pessoas vulneráveis.

“Tudo começou com um paciente com sintomas leves. Ele dizia estar com um cansaço extremo nos dois últimos dias e tinha dores no corpo e um pouco de dor de cabeça. Nem sequer uma dor de garganta, mas algo como uma garganta arranhando. Sem tosse, nem perda de olfato ou paladar”, afirmou ela.

No entanto, especialistas lembram que observações médicas como a de Coetzee são importantes, mas não servem como evidências epidemiológicas.

O infectologista Richard Lessells, da Universidade de KwaZulu-Natal em Durban, na África do Sul, ressalva que “as observações dos médicos em campo são sempre importantes e nos apoiamos muito nelas, mas precisamos ser cautelosos ao confiar em dados preliminares de que todos os casos com esta variante são leves”, escreveu ele no Twitter.

Segundo a OMS, ainda não está claro se a infecção pela ômicron causa doença mais grave em comparação com infecções por outras variantes.

A OMS acrescentou ainda que “todas as variantes de covid-19, incluindo a variante delta que é dominante em todo o mundo, podem causar doença grave ou morte”.

4) As vacinas que temos disponíveis hoje em dia vão funcionar contra a ômicron?

Quando a equipe do brasileiro Tulio de Oliveira fez o anúncio sobre a nova variante, falou sobre a possibilidade de reinfecção e escape do sistema imunológico.

Isso porque a ômicron tem 50 mutações em relação ao coronavírus original, detectado em Wuhan na China.

Dessas 50 mutações, 32 estão na proteína S (spike ou espícula em inglês), “chave” que o vírus usa para entrar nas células.

Algumas dessas mutações existem em outras variantes, mas não todas juntas em uma única, dizem cientistas.

Vale lembrar que a maioria das vacinas, como a AstraZeneca, Pfizer e Janssen, injetam a proteína spike no organismo humano para ensiná-lo a combater o coronavírus. Portanto, podem não ser ideais para a defesa contra a nova variante, que tem mutações justamente nessa proteína, dizem cientistas.

Fabricantes de vacinas anunciaram que já estão trabalhando em versões específicas contra a ômicron, caso os imunizantes existentes não sejam eficazes contra essa nova variante.

A Pfizer disse que poderia readaptar suas vacinas em até 100 dias, se necessário. Apesar disso, uma declaração pessimista do CEO da Moderna sacudiu os mercados.

Em entrevista ao Financial Times, Stephane Bancel previu uma “queda material” na eficácia das vacinas existentes e descartou a expectativa de que novas versões podem estar disponíveis em breve.

Já a Coronavac, a mais prevalente no Brasil, que é uma vacina de tipo tradicional, feita a partir do vírus inteiro inativado da Sars-CoV-2, poderia apresentar uma vantagem em relação às demais, já que ela ensina o sistema imune a combater o vírus inteiro, e não apenas a proteína spike.

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