Quinta-feira, 03 de setembro de 2026

Operador do banqueiro Daniel Vorcaro faz delação com a Procuradoria-Geral da República e confessa repasses a fundo de aliado de Eduardo Bolsonaro

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, contou em sua delação premiada que os pagamentos feitos a um fundo no Texas administrado por um advogado de Eduardo Bolsonaro saíram de recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mantidos com ele. Esses pagamentos haviam sido solicitados pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Vorcaro sob o argumento de que serviriam para bancar a produção do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A defesa de Freixo Júnio e a campanha de Flávio Bolsonaro não se manifestaram.

Freixo Júnior entregou aos investigadores documentos para comprovar que os repasses da Entre Investimentos para o fundo Havengate tinham como origem uma espécie de conta conjunta que ele mantinha com Vorcaro, usada para fazer pagamentos a pedido do banqueiro. Ele também apresentou os comprovantes das operações de câmbio realizadas para enviar esses recursos ao exterior, o que deve permitir aos investigadores avançar para corroborar suspeitas de evasão de divisas envolvendo esses pagamentos.

O depoimento de Freixo Júnior também confirma suspeitas verificadas anteriormente por técnicos do Banco Central (BC), que haviam identificado um fluxo atípico de recursos saindo da Entrepay, que faz parte do conglomerado Entre Investimentos. Os recursos deixavam o Brasil, passavam pelas Bahamas, um paraíso fiscal, e chegavam ao Texas, nos Estados Unidos. A instituição financeira foi liquidada pelo BC em março deste ano.

O empresário do mercado financeiro, que também atuava como um operador financeiro de Vorcaro, assinou uma delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

O acordo foi enviado na semana passada ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. O ministro marcou audiência na próxima terça-feira (8), para ouvir o colaborador sobre a voluntariedade do acordo. Cumprido esse requisito, a delação pode ser homologada, o que lhe confere aval jurídico para ser usada como meio de prova.

Diálogos do celular de Daniel Vorcaro, divulgados em maio pelo Intercept Brasil, mostram que Flávio Bolsonaro lhe pediu em 2025 o pagamento de US$ 24 milhões para financiar a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. As conversas indicaram que houve o efetivo pagamento de pelo menos US$ 10,6 milhões de dólares, o equivalente na época a cerca de R$ 61 milhões. Posteriormente, Flávio indicou para os pagamentos a conta do fundo Havengate, sediado em Texas e administrado por um advogado de Eduardo Bolsonaro.

Nas conversas, Vorcaro diz que os pagamentos seriam feitos pela Entre, de Freixo Júnior. Os comprovantes de pagamentos encontrados no celular do banqueiro também demonstram que esse foi o meio encontrado para os repasses.

A Polícia Federal (PF) já abriu inquérito, autorizado por Mendonça, para apurar suspeitas de crimes nesses pagamentos e identificar se os recursos acabaram servindo para custear as despesas da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Em seus depoimentos, Freixo Júnior disse não ter conhecimento da utilização final do dinheiro e afirmou apenas ter executado as ordens de Vorcaro. Ele deixou claro aos investigadores que a origem do dinheiro usado para transferências ao Havengate era Daniel Vorcaro. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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