Sexta-feira, 19 de julho de 2024

Partido de Bolsonaro já trabalha com o cenário de ele preso e fora de campo nas eleições de 2024

O avanço de investigações da Polícia Federal (PF) sobre Jair Bolsonaro fez com que o PL colocasse no radar a possibilidade de não ter o ex-presidente em campo nas eleições de 2024.

O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, tem deixado claro que seu plano é usar Bolsonaro como principal cabo eleitoral para aumentar o número de prefeituras da legenda. Lideranças da legenda apontam, porém, que nas últimas semanas aumentou a percepção que Bolsonaro pode ser preso até o ano que vem e que as chances de estar fora de cena no pleito municipal é tratada como “real”.

Até aqui, os planos do PL são ambiciosos. O presidente do PL quer aumentar as cerca de 300 prefeituras que a sigla tem hoje para 1300 e, com isso, ter uma base mais sólida para ampliar o número de parlamentares no Congresso em 2026. O roteiro está traçado e as viagens de Bolsonaro e agendas em curso, especialmente em regiões onde ele foi vencedor na campanha presidencial de 2022.

Diante disso, impera entre correligionários da legenda a dúvida se Bolsonaro seria um cabo eleitoral mais forte na eleição municipal estando preso ou solto.

Hoje Valdemar Costa Neto acredita que, mesmo sendo confrontado com novas provas de crimes no caso das joias, inclusive sobre a compra e venda de presentes destinados à União, Bolsonaro mantém um grupo fiel de eleitores que será decisivo em 2024.

Entre os mandachuvas do PL, existe a dúvida se esse capital político seguirá, caso o ex-presidente seja preso e saia de circulação. Um plano que é tido como consenso, por hora, é escalar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro para ocupar o espaço que o marido pode deixar e vitimizá-lo em seu discurso.

O PL pretende fazer em breve pesquisas para testar nomes que pretende lançar no ano que vem, mas, por ora, não colocou nas ruas levantamento sobre desgastes que os novos escândalos trouxeram para o clã Bolsonaro.

Mensagem

Uma mensagem com fake news, ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Justiça Eleitoral encontrada no celular de um empresário levou a Polícia Federal (PF) a intimar o ex-presidente Jair Bolsonaro a prestar depoimento.

A mensagem enviada em junho de 2022 consta em um relatório da PF sobre a quebra de sigilo das comunicações de empresários bolsonaristas que trocaram mensagens de teor golpista. Dois deles, continuam investigados: o empresário Meyer Nigri, fundador da Tecnisa, e Luciano Hang, da Havan.

Ao analisar o celular de Nigri, os investigadores encontraram uma conversa com um número de telefone salvo como “PR Bolsonaro 8”. A PF afirma que a pessoa associada ao contato “PR Bolsonaro 8” enviou ao investigado Meyer Nigri, as mensagens com conteúdo não lastreado ou conhecidamente falso, atacando integrantes de instituições públicas, especialmente ministros do STF, desacreditando o processo eleitoral brasileiro. A mensagem ataca, sem provas, o TSE, o STF e o instituto de pesquisa Datafolha. Ao final, o pedido: “Repasse ao máximo”. Nigri responde: “Já repassei para vários grupos”.

A Polícia Federal convocou o ex-presidente para depor no dia 31 de agosto. Será o quinto depoimento de Jair Bolsonaro em investigações abertas pela PF. Ele já teve que dar explicações sobre as joias doadas pelo governo saudita, sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, sobre a suspeita de fraude de cartões de vacinação e sobre o suposto plano de golpe denunciado pelo senador Marcos do Val.

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