Segunda-feira, 25 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de agosto de 2023
Apesar dos acenos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que manterá Wellington Dias (PT) no comando do Ministério do Desenvolvimento Social, deputados do Partido Progressistas (PP) continuam a receber informações de ministros palacianos de que a divisão da pasta continua, sim, na mesa e que o presidente viajou para a África com esse fatiamento como principal alternativa.
O espaço que o PP ocupará no governo vem travando a reforma ministerial há semanas. A sigla pede também um ministério próprio e já recebeu a promessa de que poderá indicar a presidência da Caixa Econômica Federal – estão no páreo a ex-deputada Margarete Coelho (PP-PI), favorita do PT, e a secretária de Planejamento do Rio Grande do Sul, Danielle Calazans.
O partido queria comandar a Saúde, mas foi vetado por Lula. Desde então, passou a mirar o controle do Desenvolvimento Social, responsável pelo Bolsa Família e também por um grande volume de emendas parlamentares e verbas próprias para programas governamentais.
O líder do PP, André Fufuca (MA), é o nome indicado pelo partido para ministro, mas até agora não se chegou a uma decisão de qual área. O PT quer emplacá-lo numa área com orçamento menor, como o Ministério da Micro e Pequena Empresa, que seria recriado, ou o da Ciência e Tecnologia, com o deslocamento do PCdoB para outro setor, mas o PP não aceitou.
Lula se reuniu com Wellington Dias na semana passada, em meio as negociações, e o ministro gravou um vídeo em que afirma que o presidente o mandou seguir com o trabalho. O lançamento do programa “Brasil Sem Fome” deve ocorrer no Piauí, Estado que o ministro governou por quatro vezes, num gesto simbólico para o aliado.
Ministros palacianos, contudo, continuam a informar aos deputados do PP que a principal proposta na mesa de Lula para contemplar o partido é a divisão do Desenvolvimento Social e que a ideia não está descartada, embora ele tenha ficado de decidir apenas na próxima semana, quando volta da África.
Dias ficaria com o Bolsa Família e os programas voltados ao combate à fome, enquanto Fufuca comandaria os demais programas sociais do ministério e a liberação das emendas. Outra possibilidade, menos provável, é Dias voltar ao Senado e o Bolsa Família ficar com o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, comandado por Esther Dweck.
Republicanos
Fontes do governo dizem que também não está confirmado ainda que o deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) assumirá o Ministério dos Portos e Aeroportos no lugar de Márcio França (PSB). Embora essa fosse a hipótese considerada mais provável, o presidente ainda não bateu o martelo e deve voltar a negociar com a sigla.
O impasse é França perderia um ministério importante para sua base eleitoral, com o comando do Porto de Santos, para o partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu adversário.
Por isso, há a defesa de que “Silvinho” seja nomeado para o Ministério da Ciência e Tecnologia e a atual ministra, Luciana Santos (PCdoB), seja deslocada para o Ministério das Mulheres ou para o futuro Ministério da Micro e Pequena Empresa.