Segunda-feira, 07 de setembro de 2026

Pavilhão da Agricultura Familiar registra mais de R$ 14 milhões em vendas

O 28º Pavilhão da Agricultura Familiar foi novamente um dos grandes destaques da 49ª Expointer. Ao todo, foram comercializados R$ 14.401.231,85 em produtos ao longo dos nove dias de feira. Somente no sábado (5/9), penúltimo dia do evento, as vendas somaram R$ 2.644.756,21, confirmando a força da produção familiar no Rio Grande do Sul.

Diversidade e protagonismo

Nesta edição, o espaço reuniu 509 expositores de 216 municípios. Foram 400 agroindústrias familiares, 74 empreendimentos de artesanato, 28 de plantas, mudas e flores e sete cozinhas. Entre os empreendimentos, 265 jovens estão à frente dos negócios e 179 são liderados por mulheres. O artesanato contou com a presença de oito empreendimentos indígenas e três quilombolas, além de 69 empreendimentos com certificação orgânica.

Para o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, o pavilhão é um espaço único de valorização da produção local: “Os consumidores encontraram aqui produtos únicos, que têm uma história por trás, que têm o trabalho. É um espaço em que os consumidores podem reencontrar uma receita feita pelos avós.”

Estrutura e inovação

Os produtores contaram com estrutura de camping, pontos de água potável e eletricidade, além de chuveiros com água quente. O pavilhão também recebeu mezanino e sala de amamentação, além de um mapa interativo que permitiu localizar empreendimentos por produto, município ou nome da agroindústria.

Entre os produtos mais procurados estavam embutidos, queijos, laticínios, pães, cucas, doces, geleias, mel, vinhos, cachaças e licores, todos elaborados por agricultores e empreendedores familiares.

Tradição e experiência de consumo

O administrador Marcelo Alves, de Guaíba, destacou o pavilhão como um dos pontos altos da feira: “Não pesquisei muito sobre os produtos, mas decidi o que ia comprar depois de provar.”

Para os empreendimentos, a feira é oportunidade de renda e divulgação. O casal Natal Comin e Fernanda Manara, do Laticínios Pipo, de Nova Roma do Sul, participa desde 2014 e comemorou os resultados: “Este ano superou as expectativas.”

Premiação e impacto nas vendas

O 14º Concurso de Produtos da Agroindústria Familiar premiou as melhores amostras de bebidas, embutidos, lácteos, doces e erva-mate, avaliadas por especialistas da UFRGS e da Embrapa Uva e Vinho.

A agroindústria Ovelha Arteira, vencedora da categoria Queijo Autoral, viu a procura disparar. Segundo Kátia Michaelsen, responsável pelo empreendimento: “Trouxemos o queijo que ganhou na categoria autoral e ele esgotou antes da premiação. Depois da premiação, acredito que isso deu um impulso, porque, mesmo sem o queijo campeão, tínhamos cinco produtos e agora temos apenas um.”

Ela relatou ainda o sucesso do doce de leite: “Foram mais de 350 vidros de doce de leite. Fizemos uma reposição ontem e vendemos tudo. Então, acredito que o prêmio tenha impulsionado, sim, as vendas dos demais produtos.”

O queijo autoral exige 60 dias de maturação, o que limitou a quantidade disponível.

“Somos uma agroindústria certificada há pouco tempo, desde abril. Para termos o queijo pronto da maneira como queremos apresentar ao público, não tínhamos uma quantidade tão grande.”

O desempenho do Pavilhão da Agricultura Familiar na 49ª Expointer reforça o papel estratégico da produção familiar na economia gaúcha. Com diversidade, inovação e reconhecimento, o espaço não apenas gera renda, mas também fortalece a identidade cultural e gastronômica do Estado. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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