Domingo, 30 de agosto de 2026

Pelo menos dez candidatos que declararam patrimônio acima de R$ 500 mil ao Tribunal Superior Eleitoral aparecem nas listas de beneficiados em programas sociais como o Bolsa Família e o Gás do Povo

Os nomes de pelo menos dez candidatos que declararam patrimônio acima de R$ 500 mil ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aparecem nas listas de programas sociais como o Bolsa Família e o Gás do Povo. Desses, três apresentam bens milionários. Ao todo, o governo federal gastou com eles mais de R$ 321 mil em benefícios sociais voltados a pessoas de baixa renda nos últimos anos.

É o caso do candidato a deputado estadual em Goiás, Sérgio Francisco (DC), que informou ter R$ 1,2 milhão em bens, incluindo imóveis, terrenos e veículos. É o maior patrimônio de um político que disputa as eleições neste ano e recebe benefício social. De outubro de 2023 a junho de 2026, ele recebeu R$ 24 mil do Bolsa Família e do Auxílio Emergencial em dois períodos distintos, de abril a dezembro de 2020 e de outubro de 2023 a junho de 2026, segundo o dado mais recente disponível.

Para chegar aos nomes, foram analisadas diversas bases de dados do TSE – com informações sobre candidaturas e bens declarados dos postulantes a cargos eletivos este ano – e cruzou com informações públicas sobre beneficiários do Bolsa Família e do Gás do Povo que receberam pagamentos em 2026.

Com patrimônio declarado de R$ 1,09 milhão, a candidata a deputada federal por Goiás Talita Lemke (PDT) recebeu R$ 34,5 mil do Bolsa Família e dos Auxílios Brasil e Emergencial de março de 2020 a junho de 2026. Ela declarou ser dona de uma propriedade rural de R$ 1 milhão e dois veículos que somam R$ 91 mil.

A candidata a deputada estadual em Roraima Mirian Moreira (PL) obteve R$ 46,1 mil desses programas do governo federal em três períodos diferentes desde janeiro de 2013. A agricultora informou ao TSE ter um terreno no valor de R$ 1 milhão.

Já o postulante ao cargo de deputado estadual em Minas Gerais Reginaldo dos Anjos do Santo (Agir) declarou ter R$ 870 mil em bens. Ele recebeu R$ 18,9 mil do Bolsa Família em dezembro de 2018 e de fevereiro de 2024 a junho de 2026.

A candidata a deputada estadual em Tocantins Adelaide Pereira Cardoso (PL) informou um patrimônio de R$ 700 mil. A empresária recebeu R$ 32,4 mil do Bolsa Família, dos auxílios Brasil e Emergencial e do Gás do Povo de dezembro de 2018 a junho de 2026.

A empresária Cristiane Nascimento Pereira (Podemos), que busca uma cadeira na Câmara dos Deputados por São Paulo, tem R$ 695 mil em bens, conforme sua declaração. Ela recebeu R$ 39,8 mil do Bolsa Família e dos auxílios Brasil e Emergencial em dois momentos distintos desde abril de 2020.

Erro na declaração

A candidata a deputada federal pelo Espírito Santo Bruna Soares (Republicanos) obteve R$ 40,6 mil do Bolsa Família e dos auxílios Brasil e Emergencial em períodos intermitentes desde setembro de 2018. Ela declarou patrimônio de R$ 600 mil, formado por duas casas em Anchieta, a 80 quilômetros da capital do Estado, Vitória. Bruna disse à reportagem do Estadão que houve um erro na inserção dos dados e que os atualizará.

A candidata disse ainda que a formação do patrimônio não impede a obtenção de benefícios sociais, devido ao critério de renda familiar mensal.

Também com R$ 600 mil informados ao TSE, a candidata a deputada estadual no Mato Grosso Jucelma Oliveira da Silva (PSD) usou R$ 252,18 do programa Gás do Povo em janeiro e em junho deste ano. Somado ao Auxílio Emergencial, os rendimentos ultrapassam R$ 10 mil.

Já Ricardo Silva Santos (PT), que tenta se eleger deputado estadual no Rio de Janeiro, declarou R$ 569,9 mil. Jornaleiro, ele recebeu R$ 36,1 mil do Bolsa Família e dos auxílios Brasil e Emergencial desde abril de 2020.

O candidato a deputado estadual em Goiás Adão Alves da Silva (PSB) apresentou uma declaração com R$ 545 mil em patrimônio. O trabalhador da construção civil obteve R$ 38,2 mil de Bolsa Família em períodos diferentes desde abril de 2020.

Regras

Segundo o governo federal, o Bolsa Família se destina a famílias em situação de pobreza, com renda per capita de até R$ 218 mensais. Já o Gás do Povo, é destinado a famílias com renda de até meio salário mínimo por pessoa. Além disso, os beneficiários precisam ter o cadastro atualizado no Cadastro Único (CadÚnico). Mas não existem normas quanto ao limite de patrimônio dos beneficiários.

Questionado, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome afirmou, em nota, que “a existência de patrimônio, isoladamente, não é critério automático para impedir o acesso ou manutenção do benefício”. “No entanto, informações patrimoniais podem ser consideradas, juntamente com outros dados disponíveis nas bases oficiais, na identificação de eventuais inconsistências cadastrais ou indícios de subdeclaração de renda”, disse o ministério. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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