Sábado, 27 de novembro de 2021

Pesquisa pretende mapear criminalidade e violência não registradas oficialmente em Canoas

Desde o dia 3 de novembro, pesquisadores do Observatório de Segurança Pública de Canoas (OSPC) percorrem os bairros do município para colher dados para a 3ª Pesquisa de Vitimização.

Até esta segunda-feira (22), já foram aplicados 463 questionários, dos 1.041 que ainda devem ser respondidos até 3 de dezembro. O objetivo da Prefeitura é fazer entrevistas junto à população para estimar a quantidade de crimes e violências que não é registrada oficialmente, além de compreender como as pessoas são afetadas por estes fenômenos. A ideia é que as informações possam subsidiar políticas públicas de segurança, que auxiliem na redução desses fatores em todo o território canoense.

Moradora do Bairro Rio Branco, Michely Rodrigues, 32 anos, participou da pesquisa nesta segunda. Ela nunca registrou nenhuma ocorrência de crime ou violência junto aos órgãos competentes, mas foi vítima da criminalidade em uma oportunidade, quando teve a casa furtada. “Eu estava dormindo e fizeram a limpa na minha sala. Quando acordamos, não tinha mais nada. Eu me arrependo de não ter feito o registro, sei que é muito importante, até para a nossa proteção e de todos do bairro”, destacou.

Sobre a pesquisa, ela avalia como uma iniciativa inovadora e fundamental. “Acho bem interessante o que a Prefeitura está fazendo. Tem muita gente que acaba não querendo participar, mas a gente não perde muito tempo. Vale muito a pena. E, tudo isso, é justamente para a nossa segurança”, ressaltou.

Quem também participou da pesquisa foi a aposentada Eva Marisa, 83 anos, que teve o celular roubado em uma ocasião e, também, não registrou a ocorrência. “Eu me cuido, mas, quando eu subi no ônibus, um homem pegou o meu celular. No fim, acabei não registrando a ocorrência, mas eu sei que é importante registrar, para a polícia saber onde acontecem esses casos. Ainda bem que tem uma pesquisa dessas, eu não sabia que existia. Espero que todo mundo possa colaborar.

Metodologia

A pesquisa está sendo desenvolvida em parceria com a Fundação La Salle, através de duas etapas: na primeira, estão previstos 22 dias úteis de aplicação de questionário em todos os bairros de Canoas. A segunda etapa vai contemplar a análise e os estudos necessários para elaboração do relatório final, com previsão de finalização em março de 2022.

Participam do projeto 11 pesquisadores, identificados com crachá e camisetas personalizadas, que se dividem em equipes para cobrir o território previsto de cada bairro. São excluídos do questionário apenas menores de 18 anos. Para organização do cálculo da amostra, a população foi dividida dentro das seguintes faixa-etárias: 18 a 29 anos; 30 a 45 anos; 46 a 60 anos; e acima de 60 anos. Ao todo, são 111 questões abordadas junto à população.

“Indo a campo, conversando com a população e com uma análise qualificada dos dados será possível compreender como, socialmente, uma violência é naturalizada. Assim, teremos o índice real da violência, com os principais motivos da subnotificação e com a possível métrica de segurança ou insegurança de cada região do município. Queremos conhecer as lacunas da criminalidade de Canoas e poder agir sobre elas”, explica o secretário municipal de Segurança Pública, delegado Emerson Wendt.

Os primeiros resultados da pesquisa serão apresentados no Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGI-M) e divulgados no site da Prefeitura de Canoas. Após esta etapa, estão previstos um seminário e a publicação do relatório final da pesquisa.

Observatório de Segurança Pública – O Observatório é um centro de pesquisa social vinculado à Secretaria Municipal de Segurança Pública, focado nas causas e efeitos da criminalidade. Tem como proposta realizar levantamentos, acompanhamentos, análises e divulgação de estatísticas sobre índices de criminalidade, a fim de auxiliar os gestores no planejamento das estratégias de enfrentamento à violência e à criminalidade.

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