Domingo, 13 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de setembro de 2026
A rodada de pesquisas mais recentes da Quaest nos Estados indica que o Senado pode ter a maior eleição feminina de sua história este ano. É o que mostra levantamento realizado pelo cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), com base nos dados do instituto. A análise aponta haver hoje 15 mulheres em situação de favoritismo na corrida por uma das duas cadeiras da Casa em disputa em cada local, enquanto outras 14 têm candidaturas competitivas, em um panorama que abrange tanto nomes à esquerda quanto à direita.
Caso pelo menos dez candidatas sejam eleitas ao Senado em outubro, o país já igualará o pleito de 2014 como o com maior proporcionalidade de mulheres alçadas à Casa (18,5%). Na ocasião, cinco dos 27 senadores eleitos eram mulheres.
Já em números absolutos, o recorde pertence às eleições de 2002 e 2010, quando oito senadoras foram eleitas. A marca também pode ser quebrada daqui menos de um mês.
Medeiros aponta que, na última década, o Senado ganhou protagonismo crescente na relação entre os Poderes e no exercício institucional de freios e contrapesos. As siglas passaram, assim, a escalar alguns dos nomes mais fortes para disputar a Casa — e, neste ano, muitas dessas vitrines partidárias são mulheres.
“O crescimento feminino no Senado não está restrito a uma corrente ideológica. Há candidaturas competitivas à esquerda, ao centro e à direita. A representação feminina deixou de depender de um único campo político e passou a integrar a estratégia eleitoral de diferentes forças.”
Já Marcela Machado, doutora em Ciência Política pela UnB, ressalta que, ainda que um eventual recorde amplie a representação feminina no Senado, não necessariamente as eleitas terão uma pauta convergente no Congresso:
“A presença de candidatas competitivas em diferentes campos políticos merece uma leitura cuidadosa: mostra que a ampliação da participação feminina pode ocorrer por caminhos partidários distintos, o que não significa que essas mulheres compartilhem a mesma agenda.”
Medeiros aponta que as mulheres formam a “principal fortaleza eleitoral da base do governo Lula para o Senado”. No Sudeste, onde o presidente atua para ampliar a base de votos, destacam-se Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) em São Paulo, Benedita da Silva (PT) no Rio de Janeiro e Marília Campos (PT) em Minas Gerais.
Também são candidatas bem posicionadas ao Senado à esquerda: Manuela D’ávila (PSOL) no Rio Grande do Sul; Marília Arraes (PDT) em Pernambuco; Gleisi Hoffman (PT) no Paraná; Luizianne Lins (Rede) no Ceará; Eliziane Gama (PT) no Maranhão; Samanda de Lula (PT) no Rio Grande do Norte; e Leila do Vôlei (PDT) e Erika Kokay (PT) no Distrito Federal.
Um fenômeno semelhante ocorre no campo bolsonarista. Há mulheres à frente nas pesquisas em várias localidades, como Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) no Distrito Federal; Carol De Toni (PL) em Santa Catarina; Cristina Graeml (PSD) no Paraná; Sílvia Cristina (PP) em Rondônia; Mara Rocha (Republicanos) no Acre; Teresa Surita (MDB) em Roraima; e Rayssa Furlan (Podemos) no Amapá.
Outras frentes
O levantamento mostra também a presença de lideranças jovens, como Janaína Riva (MDB) em Mato Grosso, atual deputada estadual de 37 anos, e Marina JHC (PSDB) em Alagoas, de 35 anos, que busca quebrar a força local de Arthur Lira (PP) e Renan Calheiros (MDB).
Também há nomes competitivos fora do lulismo e do bolsonarismo, como a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (MDB), a ex-senadora capixaba Rose de Freitas (MDB) e Gracinha Caiado (União) em Goiás, mulher do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), além das atuais senadoras Zenaide Maia (PSD-RN) e Soraya Thronicke (PSB-MS), que miram a reeleição. (Com informações do jornal O Globo)