Domingo, 10 de maio de 2026

Pessoas ansiosas e preocupadas adoecem mais e vivem menos? Novo estudo mostra o contrário

Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade Normal de Pequim descobriram que nem toda ansiedade e preocupação é necessariamente ruim. De acordo com um novo estudo, que incluiu dados de personalidade de mais de 400 mil pessoas analisadas ao longo de diferentes contextos, um tipo específico de pessoa ansiosa corre um risco 35% menor de morte e apresenta menor taxa de diversas doenças relacionadas ao estilo de vida e ao comportamento cotidiano.

Chamado ERIS (Reatividade Emocional e Estabilidade Interna), esse perfil se baseia em alta preocupação, mas baixa instabilidade de humor. Ele é um dos dois principais tipos de neuroticismo, um dos cinco grandes traços de personalidade estudados pela psicologia moderna, geralmente manifestado com altos níveis de ansiedade, preocupação constante e sensibilidade emocional.

Indivíduos com pontuação alta em ERIS tendem a se preocupar e sentir ansiedade com frequência, mas não experimentam as oscilações bruscas de humor ou crises emocionais associadas à dimensão mais prejudicial desse traço psicológico. Em muitos casos, conseguem transformar a preocupação em atenção preventiva e maior cautela diante de possíveis ameaças.

Em vez de tratar o neuroticismo como uma pontuação única e uniforme, os pesquisadores mapearam como os padrões de resposta emocional das pessoas se agrupam em uma população ampla e diversa. Uma estrutura consistente de duas partes emergiu em todos os conjuntos de dados analisados, com o outro tipo aparecendo como o neuroticismo clássico e prejudicial, tradicionalmente associado a pior saúde mental e física. As descobertas foram publicadas na revista científica Science Bulletin.

Indivíduos com alto ERIS apresentaram uma probabilidade muito menor de fumar ou correr riscos desnecessários, maior probabilidade de parar de fumar com sucesso, além de maior tendência a praticar exercícios moderados regularmente e maior probabilidade de buscar cuidados médicos preventivos e acompanhamento de saúde de rotina.

A explicação para isso, segundo os cientistas, está nos exames cerebrais realizados durante a pesquisa. Indivíduos com perfil ERIS mostraram maior atividade nas estruturas subcorticais mais antigas: a amígdala, o hipocampo, o tálamo e o cerebelo, regiões envolvidas em respostas básicas de medo, alerta e ameaça, o tipo de sistema que os animais utilizam naturalmente quando percebem o perigo ao redor.

O que pode significar que indivíduos com alto nível de ERIS (Sistema de Reconhecimento de Ameaças Emocional) têm como mecanismo de defesa atuante se afastar de ameaças e riscos evitáveis de maneira mais eficiente. Diferente dos neuróticos do tipo clássico, que apresentam maior atividade em partes do cérebro ligadas à regulação emocional e ao automonitoramento, sugerindo que essas áreas podem ser menos eficazes em controlar emoções negativas persistentes e reações emocionais intensas. (Com informações do jornal O Globo)

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