Domingo, 10 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 10 de maio de 2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de produtos da marca Ypê por “risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de ocorrer contaminação microbiológica”. Segundo o diretor do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS), Manoel Lara, a decisão de interromper a produção foi motivada por uma incapacidade da companhia de resolver de maneira consistente o problema, constatado inicialmente em novembro do ano passado, quando foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras.
Riscos da bactéria
Esse patógeno não é altamente contagioso, mas oferece risco porque costuma infectar pessoas com baixa imunidade. É um organismo relativamente comum em casos de infecção hospitalar, afetando sobretudo o pulmão.
“Na inspeção foram detectadas falhas nas boas práticas de processamento de produtos. Tinha tanto falhas documentais quanto falhas relacionadas à questão de higiene e limpeza das áreas de produção”, disse Lara. “De alguma forma, essas falhas poderiam estar ligadas a essa contaminação por Pseudomonas.”
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria que pode ser encontrada em diversos líquidos no meio ambiente, além de ser resistente a diversos antibióticos.
Em comunicado divulgado no sábado (9), a Ypê informou que que manteve “suspensa as linhas de produção da sua fábrica de líquidos desde a última quinta-feira, responsáveis pela fabricação dos produtos lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes de número de lote final 1 (um)”.
A empresa afirma ainda que continuou sem produzir na unidade, mesmo tendo obtido o efeito suspensivo da medida da Anvisa, que vedava a produção. O objetivo, segundo nota da fabricante, é “acelerar o cronograma e a conclusão de medidas apontadas pela Anvisa durante a última fiscalização”.
Segundo um estudo publicado na revista Nature, o patógeno causa infecções agudas ou crônicas em indivíduos imunocomprometidos com doença pulmonar obstrutiva crônica, fibrose cística, câncer, traumas, queimaduras, sepse e pneumonia associada à ventilação mecânica, incluindo aquelas causadas pela covid. A OMS incluiu a Pseudomonas aeruginosa na lista de patógenos “críticos” em 2024.
Contato
Segundo o médico infectologista Renato Grinbaum, membro do comitê de infecções comunitárias da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), em pequenas quantidades, pessoas com sistema de defesa saudável não são afetadas por esta bactéria.
O cenário se torna preocupante apenas quando a bactéria é encontrada em quantidades elevadas, no ambiente hospitalar e em pacientes com defesas comprometidas.
“Neste caso, esta informação só corrobora a questão de quebra de protocolos de segurança na produção, mas não indica risco importante imediato para a população. Deve ser mantida a recomendação de não utilização dos produtos indicados pela Anvisa”, afirmou.
A médica alergista Kleiser Mendes, vice-coordenadora do Departamento Científico de Dermatite de Contato da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), sinalizou que o uso de produtos contaminados pode causar irritações.
Segundo a especialista, é desejávem buscar avaliação médica caso apareçam sintomas como vermelhidão intensa, coceira persistente, irritação ou lesões na pele ou nos olhos, ardor, secreção, espinhas ou acne súbita, inchaço, sinais de infecção ou sintomas respiratórios após uso de sprays ou aerossóis contaminados.
“A atenção deve ser maior em crianças, idosos, imunossuprimidos, pessoas com dermatite, feridas na pele, doenças respiratórias ou uso de imunossupressores, porque esses grupos apresentam maior risco de infecções oportunistas”, concluiu. (Com informações do jornal O Globo)