Quarta-feira, 22 de maio de 2024

PF cumpre mandados contra desembargador que mandou soltar chefe de facção condenado a 126 anos por roubar aviões e tráfico de drogas

O desembargador Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF), na quinta-feira (8), em Campo Grande (MS). O magistrado já vinha sendo investigado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), quando concedeu, durante plantão judiciário, um habeas corpus ao preso Gerson Palermo. Conhecido como “chefão”, ele é líder de uma das maiores facções criminosas com atuação dentro e fora dos presídios do Brasil.

De acordo com as investigações, Gerson Palermo é considerado um narcotraficante de alta periculosidade, com vasto envolvimento em crimes como tráfico de drogas, lavagem de capitais e organização criminosa. Atualmente foragido do sistema penitenciário, ele foi beneficiado por decisão proferida liminarmente, no dia 21 de abril, feriado de Tiradentes.

Mesmo com extensa ficha criminal e sentenciado a 126 anos de prisão, a decisão ocorreu durante o plantão do desembargador Divoncir Schreiner Maran, que decidiu pela prisão domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica. O “chefão” do tráfico de drogas, fugiu oito horas após receber o benefício e segue foragido.

Ainda segundo a PF, o ex-presidente do TJMS está proibido de entrar na Corte ou ter qualquer contato com servidores do local. A proibição vale para todas as sedes do Judiciário, bem como para a utilização dos serviços “seja diretamente ou por interposta pessoa, sob pena de decretação da prisão preventiva”.

“A decisão ainda determinou a proibição do acesso do investigado às dependências do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, em quaisquer de suas sedes, além da comunicação com funcionários e utilização de seus serviços, seja diretamente ou por interposta pessoa, sob pena de decretação da prisão preventiva”, diz a nota.

Divoncir se tornou alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) em setembro do ano passado. O caso aguarda audiência de instrução, prevista para abril. Procurados pelo g1, o TJMS disse que não vai se manifestar sobre a operação.

Segundo a defesa do desembargador, Maran nunca se negou a prestar qualquer esclarecimento às autoridades em geral e está seguro de que não atuou de maneira incorreta. Confira a nota na íntegra:

“Decisão noticiada, especialmente o afastamento do cargo, foi desnecessária; Divoncir Maran nunca se negou a prestar qualquer esclarecimento às autoridades em geral; como ocorreu no âmbito do CNJ, que não lhe afastou da função; está seguro de que não atuou de maneira incorreta; irá se defender regularmente, aguardando que façam a ele o que sempre garantiu a todos enquanto magistrado, do que se orgulha: atuação imparcial e com justiça”, afirmou em nota o advogado de defesa, André Borges.

 

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