Domingo, 21 de abril de 2024

Poder feminino em alta sob a nova secretaria-geral do Ministério das Relações Internacionais

Quando tinha 14 anos, Maria Laura da Rocha decidiu que queria ser diplomata. Filha de servidores públicos cariocas, a primeira mulher a ser nomeada secretária-geral do Itamaraty estava em busca de uma profissão que lhe permitisse estudar e se sustentar sozinha. Integrante de uma família de classe média e com quatro irmãos, a embaixadora, de 67 anos, não se intimidou com a escassa presença feminina no prestigiado Instituto Rio Branco, seguiu seu instinto e agora considera sua chegada ao posto mais elevado da carreira diplomática “a sinalização de que será retomada a política de ter como prioridade a ampliação do espaço para as mulheres em lugares de destaque”.

Em sua cerimônia de posse, muitas mulheres vestiram roupas lilás, símbolo da luta pela igualdade de direitos.

“O que precisa mudar como um todo na sociedade brasileira é a ideia de que, entre mulher e homem, com a mulher você terá mais problemas. Hoje não é mais assim, a competência é igual. Vamos mostrar isso, vão correr como nunca (risos)”, diz a embaixadora, que já foi chefe da delegação brasileira na Organização da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO), na Organização das Nações Unidas para a a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e estava, até ser convocada pelo chanceler Mauro Vieira, à frente da Embaixada do Brasil na Romênia.

Em seu discurso de posse, a embaixadora, casada com um italiano e mãe de duas filhas, frisou a importância de impulsionar um processo que leve, no futuro, a ter um Itamaraty paritário: “Como primeira mulher a ser nomeada secretária-geral, não medirei esforços para evidenciar o que a Casa ganha em múltiplas dimensões valorizando suas funcionárias e mulheres e diversidade de quadros”. O objetivo da igualdade de gênero deve pairar sobre todas as ações do ministério.

Outro ponto forte de sua agenda é o combate ao racismo. Maria Laura é mestiça e diz, com orgulho, que em sua família “temos todos os tons”.

“Numa sociedade moderna e evoluída, não cabe o racismo”, enfatiza.

Tanto a nova secretária-geral como o novo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendem uma política de diversidade e inclusão no tradicional Itamaraty, dando mais oportunidades a negros, mulheres, indígenas e pessoas LGBT+.

“A sub-representação crônica de pessoas negras e mulheres distancia o perfil da diplomacia brasileira da sociedade que representa. Para reverter progressivamente esse quadro, instruirei a Secretaria de Estado a elaborar uma política de diversidade e inclusão no Itamaraty. Seus parâmetros serão a excelência do serviço exterior, o estudo de melhores práticas sobre o tema, e a institucionalização do diálogo com grupos de servidores interessados. Buscaremos recrutar mais mulheres, negros, indígenas e pessoas de diversas regiões do Brasil para o Serviço Exterior, em particular para a carreira de diplomata. Ampliaremos sua presença em cargos de liderança e trabalharemos para superar barreiras à igualdade de oportunidades na ascensão funcional”, disse Vieira em seu discurso de posse.

Já na posse de Maria Laura, o chanceler também destacou o exemplo da diplomata já falecida Monica Menezes de Campos, negra, “cuja memória segue viva nas novas gerações”. A menção a quem foi sua amiga emocionou a nova secretária-geral.

“Eu fiz meu concurso em 1976, e Monica, em 1982. Ela sofreu muito preconceito, conversamos muito sobre isso”, conta a embaixadora, que está montando uma equipe com muitas mulheres, assim como o novo chanceler.

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