Segunda-feira, 22 de abril de 2024

Destaque da semana: Lula enquadra ministros e faz afagos ao Congresso

Durante seu discurso antes da primeira reunião ministerial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez acenos e mandou recados de como deseja conduzir seu terceiro governo. A relação que chefe do Executivo pretende estabelecer junto ao Congresso, o discurso dúbio na relação com os ministros, o aceno ao agronegócio e a proposta de voltar a investir em áreas como educação, saúde e cultura foram os destaques da fala inicial.

O governo pretende ter uma relação com o Congresso bem diferente daquelas que marcaram a gestão dos seus antecessores. Não será a de distanciamento, como a do segundo governo Dilma Rousseff — que abriu a porta para o impeachment —, ou a de submissão, como se viu no período de Jair Bolsonaro — que delegou a gestão de recursos da União ao Legislativo por meio do orçamento secreto. Segundo Lula, a ordem é construir relações de bom trato com os parlamentares, escutando demandas, inclusive daqueles com opiniões contrárias a do Palácio do Planalto.

O chefe do Executivo destacou que a composição do novo governo é fruto de uma frente ampla de partidos e, por causa disso, a importância de um diálogo aberto com o Congresso. “Muitos de vocês são resultado de acordos políticos. Porque não adianta ter um governo tecnicamente competente, formado em Harvard, e não ter um voto na Câmara e no Senado. Não mandamos no Congresso. Dependemos do Congresso e, por isso, cada ministro tem que ter paciência e grandeza de atender bem cada deputado e senador que buscá-lo”, salientou.

Lideranças

O recado serviu também para os três líderes do governo no Legislativo: Jaques Wagner (PT-BA), no Senado; José Guimarães (PT-CE), na Câmara; e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder no Congresso — que estavam na reunião ministerial. “Não tem importância que você divirja de um senador ou deputado. Quando a gente vai conversar, não está propondo casamento. A gente está propondo aprovar uma tese ou uma aliança momentânea em torno de algum assunto que interessa ao povo brasileiro”, orientou.

Essa nova relação com o Congresso contará, também, com a presença do próprio Lula, que prometeu um contato mais próximo com o Legislativo do que em seus oito anos anteriores à frente do Planalto. “Não se preocupem: vão ter um presidente disposto a fazer tantas conversas quanto forem necessárias com lideranças, partidos políticos e os presidentes (do Senado) Rodrigo Pacheco e (da Câmara) Arthur Lira. Não tem veto ideológico para conversar e não tem assunto proibido em se tratando de coisas boas para o povo brasileiro. O governo precisa da boa vontade da Câmara e do Senado, e assim vamos governar esses quatro anos”, salientou, dirigindo-se a Randolfe, Guimarães e Wagner.

Acordo

A determinação de Lula sinaliza, também, de que está garantido o acordo para a reeleição de Pacheco e de Lira ao comando das Casas que presidem. Reforça, ainda, o papel que o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, terá no novo governo.

“A ordem que recebemos do presidente Lula foi unir e reconstruir o país. Voltamos para fazer política de forma civilizada e trabalhar em prol dos interesses do país”, comentou Padilha.

O direcionamento dado pelo presidente Lula sobre o relacionamento com o Congresso repercutiu bem entre parlamentares. Pacheco elogiou Lula por sua “capacidade de aglutinação”.

“O presidente Lula demonstra, com essa fala, experiência e capacidade de aglutinação. De fato, o Congresso merece respeito porque tem compromisso com as soluções para o país. O presidente e seus ministros poderão contar com isso. Vamos trabalhar muito para que a independência entre os Poderes seja a mais harmônica possível”, tuitou.

Randolfe também tuitou deixando claro que tinha captado a mensagem. “O nosso presidente acabou de dar um grande recado aos ministros e líderes do governo. Temos que dialogar e buscar a união em prol do Brasil. Não há tempo para divergências enquanto 33 milhões de pessoas não têm o que comer”, observou.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços lembrou que esse bom relacionamento com o Congresso é um dos pilares do atual governo. “Temos a gratidão ao povo brasileiro que deu uma aula de democracia e gratidão ao presidente Lula. Só ele ganharia essa eleição. Ninguém mais ganharia essa eleição, e gratidão a gente retribui com trabalho. A responsabilidade de cada um de nós aqui é enorme, frente ao presidente que nos proporcionou essa confiança, essa oportunidade de trabalharmos pelo povo e frente ao povo brasileiro”, cobrou.

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