Sexta-feira, 29 de maio de 2026

Polícia Civil cumpre mandados em investigação de crimes contra a administração pública

A Polícia Civil do RS realizou, entre quinta-feira (28) e essa sexta-feira (29), uma ampla operação contra um suposto esquema de corrupção envolvendo agentes públicos e empresários em Uruguaiana. Batizada de Operação Oppenheimer, a ação resultou no cumprimento de dois mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão em endereços localizados tanto em Uruguaiana quanto em Porto Alegre.

As investigações apuram suspeitas de corrupção ativa e passiva relacionadas à administração pública municipal. O caso começou a ser apurado há pouco mais de um mês, após a apresentação de uma denúncia formal feita por um vereador do município. Durante o relato prestado à polícia, o parlamentar entregou gravações de conversas que teriam sido mantidas com o então secretário municipal de Esportes.

De acordo com a investigação, o ex-integrante do governo municipal teria atuado como intermediador de propostas financeiras destinadas ao vereador. Em troca dos pagamentos, o parlamentar deveria deixar de exercer sua atividade de fiscalização sobre contratos ligados ao transporte escolar rural de Uruguaiana, além de abrir mão de uma possível candidatura nas próximas eleições estaduais.

Os investigadores também apuram a suspeita de que as vantagens oferecidas tinham como objetivo influenciar a atuação política do vereador em outras questões consideradas estratégicas. Entre elas estaria a votação favorável à aprovação das contas de uma gestão anterior do Executivo municipal, o que, segundo a linha investigativa, poderia beneficiar determinados grupos políticos.

A Polícia Civil sustenta que as ofertas teriam partido de ex-ocupantes de cargos de comando na prefeitura e de empresários da cidade que mantinham contratos com a administração municipal. A participação de cada um dos investigados ainda está sendo analisada no decorrer do inquérito.

Durante seu depoimento, o vereador entregou aos policiais R$ 5 mil em dinheiro. Conforme a investigação, o valor corresponderia à primeira parcela de um montante de R$ 50 mil que teria sido prometido anteriormente como parte da suposta negociação.

Com autorização judicial, equipes policiais realizaram buscas em prédios públicos e residências dos investigados. Durante o cumprimento dos mandados, foram recolhidos diversos materiais que poderão auxiliar no avanço das apurações, incluindo aparelhos eletrônicos, documentos e quantias em dinheiro.

Além das prisões e buscas, a Polícia Civil solicitou medidas cautelares que foram autorizadas pela Justiça e que impactam diretamente a execução dos serviços públicos relacionados ao caso. Segundo os investigadores, o objetivo é garantir a continuidade e a segurança dos serviços prestados à população enquanto as apurações prosseguem.

A operação foi coordenada pelo delegado Wellington Pinheiro e contou com a participação de agentes da 2ª Delegacia de Polícia de Uruguaiana, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e da Operação Brasil Contra o Crime Organizado. Ao todo, cerca de 50 policiais atuaram na ofensiva.

Os dois presos foram encaminhados à Penitenciária Modulada de Uruguaiana, onde permanecem à disposição da Justiça.

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