Sábado, 12 de setembro de 2026

Polícia Federal afirma que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro orientou como os recursos para o filme Dark Horse, sobre a trajetória do pai dele, seriam geridos nos Estados Unidos

A Polícia Federal (PF) afirma que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) orientou como os recursos para o filme Dark Horse, sobre a trajetória do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seriam geridos nos Estados Unidos. Segundo a PF, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, foi o responsável por “financiamento ilícito” da produção.

Vorcaro classificou o aporte no filme como “o mais importante disparado”, conforme mensagem enviada por ele ao seu cunhado Fabiano Zettel, apontado como seu operador. Reportagem de O Estado de S. Paulo mostrou que o banqueiro reclamou de um atraso no pagamento, afirmando que não poderia se repetir.

A PF pediu abertura de inquérito em julho para apurar o financiamento do filme sobre Bolsonaro. As suspeitas foram tornadas públicas ontem.

Assim como o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu irmão Eduardo é investigado. Entre os crimes sob apuração: lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção passiva e ativa e organização criminosa.

Beneficiários

A PF quer saber quem foram os beneficiários do recurso e o papel de cada um nas negociações com Vorcaro. A investigação também mira o publicitário Thiago Miranda, interlocutor do banqueiro para assuntos de mídia. Um relatório policial aponta que trocas de mensagens entre Miranda e Vorcaro mostram uma atuação de Eduardo para orientar a utilização do dinheiro enviado pelo banqueiro.

“Em 21/03/2025, Thiago Miranda encaminhou a Daniel Vorcaro captura de tela de conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro, na qual eram apresentadas orientações sobre a forma pela qual os recursos poderiam ser geridos nos Estados Unidos, com menção à possibilidade de envio da maior quantidade possível de valores pelo modelo então em curso e referência à disponibilidade de Altieres Santana”, diz a PF.

Altieres Santana era um gestor do fundo Havengate, sediado no Texas (EUA) e controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

Entre fevereiro e setembro de 2025, foram realizadas remessas internacionais que totalizaram US$ 12,3 milhões. O dinheiro saía da empresa Entre Investimentos e Participações Ltda., de Freixo Júnior, e era enviado para o fundo Havengate – que foi criado em 2020 para um projeto imobiliário no Texas que nunca saiu do papel e teve registros cancelados em 2021. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)

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