Terça-feira, 17 de maio de 2022

loader

Polícia Federal aponta à Justiça elementos de pressão para favorecer empresa na gestão do deputado Ricardo Barros na Saúde

A Polícia Federal afirmou à Justiça Federal ter reunido elementos que indicam ter havido “pressão” de integrantes do Ministério da Saúde durante a gestão do deputado Ricardo Barros (PP-PR) para o pagamento antecipado de quase R$ 20 milhões à empresa Global Saúde pela compra de remédios para doenças raras que nunca foram entregues.

Representação da PF obtida pela TV Globo reúne depoimentos de servidores do ministério que atribuem a liberação da verba a cobranças do próprio Barros e de pessoas ligadas ao gabinete dele, além de mudanças, introduzidas durante a gestão do então ministro nos processos de aquisição de medicamentos comprados por decisão judicial.

O material reunido pela Polícia Federal foi a base da Operação Pés de Barro, realizada na última terça-feira (21) para apurar fraudes na aquisição de medicamentos de alto custo pelo Ministério da Saúde, entre maio de 2016 e março de 2018, período em que Barros, atual líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, comandava a pasta, durante o governo do então presidente Michel Temer. Na operação, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em quatro estados (Alagoas, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo) e no Distrito Federal.

Em nota, o deputado Ricardo Barros afirmou que não é alvo da operação e que não cometeu nenhuma irregularidade durante o período que foi ministro da Saúde. “Na minha gestão no Ministério promovi uma economia superior a R$ 5 bilhões com a renegociação de contratos, compras de medicamentos e insumos. Todos os valores foram reinvestidos no SUS. São processos que afrontaram grandes interesses, mas promoveram mais serviços à população”, diz Barros na nota.

O caso

A contratação envolve a empresa Global Saúde, sócia da Precisa Medicamentos – arrastada para o centro das investigações da CPI da Covid após suspeitas de irregularidades nas tratativas de compra da vacina indiana Covaxin.

A Polícia Federal informou à Justiça que não estava investigando o caso Covaxin, mas que os fatos revelados pela CPI mostram que o mesmo grupo investigado na Operação Pés de Barro pode ter perpetuado um esquema para desviar dinheiro público.

Segundo a PF, as medidas de busca e apreensão eram necessárias diante da exposição dos alvos pela CPI, que poderiam agir para destruir provas, e de indícios dos crimes de estelionato, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, prevaricação, advocacia administrativa e organização criminosa.

Sem citar o nome de Barros, o delegado José Augusto Versiani afirmou que o esquema não seria comandando por Francisco Maximiano, dono da Global e da Precisa, mas por alguém com “influência política”.

“Sabe-se que a subtração de dinheiro público não foi coordenada por Francisco Emerson Maximiano, mas por alguém que tinha influência política para efetuar nomeações no ministério da saúde, os quais operavam pressionando servidores para que empresas fossem favorecidas e procedimentos de compra e pagamento fossem efetuados fora da legalidade”, afirmou.

O depoimento do servidor Victor Lahud cita diretamente a suposta interferência de Barros.

Ele afirmou aos investigadores que antes do pagamento houve muita pressão dos superiores para a liberação dos valores e que se recusou por entender que não estavam preenchidos os requisitos para justificar a antecipação do pagamento.

Segundo relata a representação da PF, “as cobranças partiram do Sr. Alexandre Lages, bem como de outras pessoas ligadas ao gabinete, alegando sempre que o Diretor, Davidson Tolentino, e o próprio Ministro, Ricardo Barros, estavam cobrando que fosse feito esse pagamento”.

De acordo com a reprodução do relato do servidor à PF, “todos os telefonemas que recebia com cobranças para que efetivasse o pagamento antecipado à empresa Global Gestão em Saúde S/A mencionavam o nome do ministro Ricardo Barros como forma de pressionar para que fosse feito o pagamento”.

Segundo Ricardo Barros, as informações do servidor são inverídicas. “São informações que não condizem com a verdade. Não fiz pressão a qualquer servidor para autorizar o pagamento. O depoimento de Victor Lahud fala em pressão usando o meu nome, mas nunca pressão diretamente minha. Inclusive não consta no processo autorização ministerial para o pagamento antecipado à empresa Global como reconhece o Ministério Público na denúncia. Reforço que a licitação seguiu o trâmite legal com decisões judiciais favoráveis. Estou tranquilo e provarei a minha inocência”, afirmou.

Outra servidora, Liana Martins, afirmou que não faz parte do procedimento normal do Ministério da Saúde “o pagamento antecipado de fornecedores, sendo a compra de um fornecedor nacional”.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de CPI da Covid

Uber exclui mais de 15 mil motoristas por cancelamento constante de corridas
Ministério aprova dose de reforço para profissionais de saúde
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play