Sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 27 de agosto de 2026
O empresário de tecnologia Cleber Ribas de Oliveira tinha um contrato prevendo uma comissão ao grupo de Roberta Luchsinger e Lulinha sobre contratos fechados com o governo, segundo investigação da Polícia Federal (PF).
Mensagens analisadas pela PF, obtidas pelo UOL, mostram que a relação entre Roberta e Cleber começou em 2023. Em 7 de março daquele ano, o empresário e a lobista falaram sobre a possibilidade de assinarem um contrato de intermediação com uma “success fee” (taxa de sucesso) por contratos no governo, cujo valor ainda não estava definido.
Em 24 de maio, Cleber envia a minuta do contrato de intermediação a Roberta, que previa uma comissão por “apresentação das partes para celebração de negócios”. O documento é assinado no dia seguinte.
A previsão inicial era de que o pagamento ocorreria por meio de uma empresa chamada Santos Soluções Empresariais. Depois, porém, pagamentos foram identificados partindo de outros CNPJs.
Ao todo, a PF identificou quase R$ 3 milhões em pagamentos à RL Consultoria — empresa de Roberta — feitos pelo grupo de Ribas, que fornecia serviços de TI, ao longo de três anos:
* Ribas Informática: R$ 1,5 milhão;
* Santos Soluções: R$ 150 mil;
* 3Structure: R$ 1 milhão;
* José Alberto Abdon (sócio da Santos): R$ 300 mil.
A Santos Soluções também vende ao governo. Recebeu R$ 25 mil da União em 2021 e R$ 721 mil em 2023, ano em que passou a pagar a consultoria de Roberta.
Segundo a PF, Fernando Bittar — um dos donos do sítio de Atibaia — e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, eram sócios ocultos de Roberta na RL Consultoria.
A defesa de Lulinha disse que relatórios são parte normal do início de investigação. “Eles informam que mensagens são suprimidas e pinçadas, para levantar hipóteses investigativas que ainda serão validadas ou descartadas”.
No pedido que encaminhou ao STF (Supremo Tribunal Federal) para abertura de inquérito sobre os diálogos e repasses, a PF diz que é preciso aprofundar a investigação para esclarecer a que se referem esses pagamentos.
Investigadores veem indícios de utilização de relações pessoais privilegiadas para obter vantagens indevidas em órgãos públicos e favorecimento ilícito a agentes públicos, entre outros crimes.
Cleber disse que “não é possível comentar sobre supostas mensagens sem acesso prévio aos dados brutos da interceptação telemática ou à totalidade das investigações em curso”.
Assinatura
Em 22 de março de 2023, Luchsinger pediu a Cleber um briefing sobre o que sua empresa fazia, para tentar prospectar contratos com órgãos públicos.
Já em 3 de abril, Roberta tentou marcar um jantar com Cleber, Lulinha e Fernando Bittar.
“O Fabio e o Fernando irão. A ideia é aquela: vc contratar eles”, escreveu Roberta a Cleber naquele dia. O jantar acabou sendo adiado.
As conversas continuam nas semanas seguintes, e os dois discutem possibilidades de contratos na estatal Dataprev e nos estados de Tocantins e Maranhão.
“Além da empresa que tá assinando o contrato, outras empresas que a gente poderia indicar para fechar os contratos em cima do relacionamento teriam que comissionar vocês”, diz Cleber em um áudio à lobista.
Os pagamentos começam em junho de 2023. Em mensagens de Roberta a Cleber, ela indica que Lulinha estava usufruindo dos repasses.
“Menino cobrando as passagens”, diz em agosto de 2025, por exemplo, cobrando um pagamento, dias antes de sua empresa receber R$ 168 mil. A PF entende que “menino” era referência a Lulinha, já que há diversas menções nas conversas a passagens aéreas que a lobista pagava a ele.
Como mostrou reportagem do Estadão, a suspeita da PF é que o filho do presidente era destinatário dos pagamentos feitos por Ribas. (Com informações da colunista Natália Portinari, do portal de notícias UOL)