Terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Polícia Federal pede investigação de influenciadores

A Polícia Federal (PF) solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli a instauração de um inquérito para apurar a utilização de influenciadores para defender o Banco Master e atacar o Banco Central (BC). A suspeita é de uma ação orquestrada pelo dono do Master, Daniel Vorcaro. A campanha difamatória ocorre desde o início da análise da autoridade monetária sobre a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) e se intensificou com a liquidação do banco pelo BC, baseada nas investigações da PF.

A defesa de Vorcaro nega o cometimento de irregularidades e diz que ele tem colaborado com a Justiça para o esclarecimento dos fatos. No final do ano, várias contas de influenciadores na internet publicaram conteúdos colocando em dúvida a credibilidade do BC no processo. Parte desses influenciadores não tem nenhuma relação com temas do setor financeiro.

O caso começou a ser exposto a partir de um vídeo publicado pelo vereador Rony Gabriel (PL-RS), de Erechim, que diz ter recebido uma proposta intitulada “projeto DV”, as iniciais de Daniel Vorcaro, para publicar conteúdo em defesa da instituição. Segundo ele, deveriam ser produzidos vídeos para seus perfis nas redes sociais para “dizer que o Banco Master era uma vítima do Banco Central”.

Um levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) feito para avaliar sua imagem nas redes sociais acabou captando um ataque coordenado às instituições, concentrado em um período de 36 horas, no fim de 2025. O Banco Central decretou no dia 18 de novembro do ano passado, a liquidação extrajudicial do Banco Master. A liquidação foi assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo.

Os influenciadores que relataram ter sido procurados por agências de marketing digital para fazer publicações contrárias à liquidação extrajudicial do Banco Master dizem não temer uma investigação da Polícia Federal.

A medida encerrou um processo acelerado de crescimento do Master, que foi baseado em dois pilares: a captação de recursos pagando a investidores juros muito acima da média do mercado e a compra de ativos com baixa liquidez, como empresas com problemas financeiros, precatórios e direitos creditórios.

A investigação sobre as suspeitas de crimes de gestão fraudulenta do Master apontou que a instituição usou as “vulnerabilidades” do mercado de capitais para realizar operações financeiras com o objetivo de desviar dinheiro para o patrimônio pessoal de Vorcaro e de seus familiares. Esses desvios totalizaram R$ 5,7 bilhões, de acordo com a investigação.

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