Terça-feira, 05 de julho de 2022

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Polícia suspeita que gangue baleou brasileiro em Chicago. Mãe desabafa: “saí do Brasil com medo da violência”

Um mês após o estudante brasileiro João Pedro Marchezani, de 23 anos, ser atingido na cabeça por um tiro disparado por um motoqueiro pelas ruas de Chicago, em Illinois (EUA) — do qual ainda se recupera, em estado crítico — a polícia americana ainda não chegou aos responsáveis pelo crime.

O que se sabe até o momento é que, naquela mesma madrugada de 5 de setembro, os policiais já haviam sido avisados de que uma gangue local apostava corridas ilegais e fazia arruaças pelo bairro nobre de Logan Square.

Os investigadores, que já reuniram várias imagens de câmeras de segurança do local onde tudo aconteceu, informaram à família que trabalham com duas hipóteses que resultaram na tentativa de homicídio: a de tentativa de roubo de carro ou mesmo de crime de trânsito, supostamente motivado pelo fato de o rapaz que dirigia o carro, assustado, ter fechado a moto onde estaria um integrante da gangue, armado.

A princípio, as informações da polícia eram de que o crime havia sido na Avenida West Belmont, no bairro de Avendale; na verdade, esse é o local onde fica o posto de gasolina em que o grupo de amigos conseguiu parar para pedir socorro para João Pedro. O ataque foi na Avenida North Lawndale, na altura deLogan Square.

“O que a gente sabe até agora é que era uma gangue, que fica ali naquela região. Aqui, nós temos um aplicativo chamado Citizen, que mostra tudo de ruim que acontece pela região: tiro, batida, coisas desse tipo. E as pessoas sinalizaram que eles (os criminosos) ficam no cruzamento de duas avenidas de Chicago, por onde meu filho e os amigos passaram. É uma gangue perigosa, conhecida e antiga. A polícia nos disse que, no dia em que aconteceu isso com o meu filho, eles estavam bebendo e apostando corrida pelo bairro”, relatou Mônica Marchezani, mãe de João Pedro.

João Pedro foi baleado na madrugada do dia 4 para o dia 5 de setembro, um fim de semana. Pouco antes, no dia 1º de setembro, ele havia se mudado com a namorada para o primeiro apartamento onde viveriam juntos, pelo menos por seis ou oito meses, até que o rapaz se formasse em Robótica e fosse a Ohio trabalhar junto com o seu pai.

Naquele final de semana, eles passaram a tarde comprando itens de decoração para o novo lar ao lado de dois amigos e, mais tarde, resolveram que comemorariam as novas conquistas num bar em Chicago com estes colegas e mais um rapaz, que os levaria de carro.

No trajeto, o motorista conta em depoimento que notou que estava sendo seguido por um homem numa moto, visivelmente armado; ele fechou o motociclista e arrancou em fuga. Em dado momento, deu de cara com outra motocicleta, onde estavam dois homens. Um deles, na garupa, disparou oito vezes contra o carro e atingiu, do lado esquerdo da nuca, apenas João Pedro, que estava no banco de trás.

Mônica conta que, apesar de saber que a violência é algo que também é uma realidade nos Estados Unidos, e sobretudo em Chicago, nunca imaginava que, após viver a maior parte da vida em São Paulo, acabaria passando por uma tragédia pessoal deste tamanho justamente em solo americano. Ela diz que, no momento de desespero, chegou a se culpar injustamente pelo que havia acontecido.

“Eu falei para todo mundo: eu saí do Brasil com medo da violência, do que poderia acontecer com os meus filhos, e porque eu queria um futuro melhor para eles. Pensei: “vou levar meus filhos para os Estados Unidos porque, assim, eles vão ter mais paz, segurança, e vão poder estudar em colégios e universidades americanos de qualidade. Quando isso aconteceu, me veio uma culpa. Lembro que, assim que recebi a notícia, eu perguntei ao meu marido: ‘Eu trouxe meu filho para os Estados Unidos para ele morrer?’”, lembrou. “A gente morava em SP, ele ia para Vila Madalena todo fim de semana, nunca aconteceu nada. Eu passei minha infância no Rio, porque minha mãe é carioca, e também nunca me aconteceu nada.”

A polícia de Chicago reforçou apenas que não há ninguém sob custódia neste momento por conta do crime, mas que detetives continuam investigando o que aconteceu naquela madrugada. Os policiais enfatizaram, ainda, que quem tiver informações sobre o crime deve entrar em contato com a delegacia.

Os Marchezani deixaram Jardim Marajoara, na Zona Sul de São Paulo, rumo aos Estados Unidos há quatro anos, quando o pai dos quatro rapazes e marido de Mônica, Antonio Flávio Marchezani, foi mandado embora da multinacional onde trabalhava na Alemanha, e acabou contratado por uma empresa americana.

Internado há um mês, JP, como a família o chama, tem lutado bravamente pela vida. Desde que deu entrada no hospital, nunca apresentou piora em seu quadro, segundo a mãe. Esta semana, ele saiu da UTI e foi levado para um setor de trauma para pacientes em estado crítico. Ainda está sem uma parte do crânio, retirado para operação que desalojou a bala.

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