Sábado, 25 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de abril de 2026
A Polícia Federal (PF) deflagrou nessa sexta-feira (24) uma operação destinada a apurar crimes de corrupção e falsidade ideológica relacionados às eleições de 2024 em Estrela (Vale do Taquari). Dentre os alvos está a prefeita Carine Schwingel (União Brasil), que teve endereços incluídos no roteiro de 13 ordens de busca e apreensão expedidas pela Justiça Eleitoral.
Durante ação foram recolhidos documentos e aparelhos eletrônicos que serão encaminhados para análise pericial. Também foram apreendidos materiais em Cruzeiro do Sul, localizada na mesma região do Rio Grande do Sul. Outros servidores municipais também são investigados. Até agora, ninguém foi preso.
O nome escolhido para a ofensiva é sugestivo quanto à abrangência da apuração: “Ambitus Sidum” (no latim, “em torno da estrela”). A região, aliás, foi uma das mais severamente atingidas pelas enchentes de 2024, ano que teriam sido cometidos os crimes.
As supostas irregularidades entraram na mira da PF no ano passado, após denúncia anônima e compartilhamento de provas por operação anterior, denominada “Rêmora”. Nessa sexta-feira, ao informar sobre a ofensiva na página gov.br/pf, a corporação detalhou que as práticas suspeitas estão relacionadas ao período em que Carine era candidata:
“Há indícios de que uma investigada utilizava aliados para nomear eleitores em cargos de confiança no município de Cruzeiro do Sul, mediante solicitação de transferência de domicílio eleitoral e de apoio político”.
O mesmo texto complementa: “Além disso, as investigações apontaram irregularidades atribuídas à investigada, consistentes na concessão de favores ou de vantagens financeiras em troca de apoio político, em período que antecedeu as eleições de 2024. “.
Carine Schwingel foi eleita em 6 de outubro de 2024 com 6.710 votos, correspondentes a mais de 35% da preferência do eleitorado. Natural de Caxias do Sul (Serra Gaúcha), ela tem 46 anos, é casada e com curso superior completo – em sua declaração à Justiça Eleitoral na época, ela informou como ocupação “jornalista e redatora”, aém de dona de um patrimônio de quase R$ 980 mil.
Defesa
Em entrevista à Rádio Gaúcha após a operação, a prefeita negou envolvolvimento em irregularidades. Ela argumentou que não tinha poder para cometer tais atos e que não era nem mesmo favorita no pleito: “Como garantir um cargo a alguém, se eu não tinha qualquer poder administrativo na época? Não tinha a “caneta” para poder liberar o cargo”.
Carine também declarou, durante a manifestação à emissora, que ainda não tivera acesso aos detalhes do processo da PF. “Vou me manifestar sempre, porque é um hábito meu. Não tenho nada a esconder de ninguém. A Polícia Federal está fazendo o seu trabalho, e eu defendo isso. Mas confio plenamente na Justiça, por isso tenho plena tranquilidade”.
(Marcello Campos)