Sábado, 25 de abril de 2026

Cães e gatos de estabelecimento interditado no Vale do Sinos: destino é a adoção

Os 220 animais de um canil interditado em Dois Irmãos (Vale do Sinos) foram entregues provisoriamente, nessa sexta-feira (24), a uma organização não governamental (ONG). São cães e gatos de raças com alto valor comercial e que agora recebem atendimento veterinário adequado, exames e outros procedimentos, a fim de prepará-los para adoção.

Apreendidos durante a ofensiva, os “pets” estavam desde então aos cuidados de um indivíduo designado como fiel depositária. Coube a ela os cuidados provisórios até que a entidade assumisse a tarefa.

Na quarta (22), o estabelecimento – localizado no bairro Travessão – foi alvo de operação da Polícia Civil que resultou na prisão em flagrante de um homem e de uma mulher, por maus-tratos a animais. Agentes da corporação também cumpriram mandados de busca e apreensão no local.

O caso havia sido relatado às autoridades por meio de denúncias anônimas cujo teor se confirmou, com a constatação de diversas irregularidades pela Vigilância Sanitária municipal, em conjunto com a Associação de Proteção aos Animais de Dois Irmãos.

Foram constatadas diversas irregularidades sanitárias, além de evidentes sinais de maus-tratos, conforme atestado pelos profissionais envolvidos. No local, havia cerca de 200 animais, entre cães e gatos de alto valor comercial, mantidos tanto no interior quanto no pátio do imóvel.

Conforme apurado, os dois presos já haviam sido detidos por práticas similares, com outras três pessoas, no âmbito de uma operação anterior.

Problemas

Em relação ao controle reprodutivo, o canil não possuía registros obrigatórios sobre ciclos de cio, coberturas, número de gestações por fêmea, idade dos animais ou intervalo entre gestações, em desacordo com a legislação vigente, especialmente a Lei de Crimes Ambientais.

A vistoria apontou ainda a inexistência de área destinada à maternidade, ausência de controle sobre o desenvolvimento dos filhotes, falta de monitoramento de peso e inexistência de comprovação de vacinação conforme a idade. Não havia garantia de permanência com as respectivas mães pelo período mínimo recomendado.

No aspecto sanitário, os animais não possuíam comprovação de vermifugação ou vacinação periódica, inexistindo relatórios assinados por responsável técnico. Foi igualmente constatada a ausência de controle de ectoparasitas, como pulgas, carrapatos e ácaros.

O delegado Felipe Borba, encarregado do caso, enfatizou a gravidade da conduta: “Estamos diante de uma situação em que animais eram submetidos a sofrimento, em contexto de exploração econômica. A atuação da Polícia Civil tem como foco interromper essa prática e a responsabilizar os envolvidos”.

Ele aproveita para ressaltar a importância do engajamento da população, informando as autoridades sobre esse e outros tipos de crime: “Denúncias anônimas são levadas a sério e frequentemente constituem o ponto de partida para ações como esta, permitindo a pronta resposta por parte do Estado”.

(Marcello Campos)

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