Sábado, 25 de abril de 2026

Em um mês, detentos de presídio estadual na Fronteira-Oeste do RS produzem quase 5 mil fraldas

A recém-reativada fábrica de fraldas e absorventes do Presídio Estadual de Jaguarão (Pejag), na Fronteira-Oeste gaúcha, já apresenta resultados concretos. Por meio de termo de cooperação firmado entre prefeitura e Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), a unidade entregou recentemente quase 5 mil itens, ampliando o fornecimento de produtos de higiene às farmácias municipais.

A iniciativa agrega o abastecimento integral da rede pública local, com produção voltada à fabricação de fraldas geriátricas, infantis e absorventes. De acordo com o governo do Rio Grande do Sul, a média diária da produção alcança cerca de 200 fraldas e 150 absorventes.

Retomada na segunda quinzena de março, a atividade opera com mão-de-obra prisional remunerada. Com os contratos formalizados, os indivíduos que cumprem sentença no regime fechado trabalham em jornadas de oito horas por dia – a remuneração é equivalente a 75% do salário-mínimo nacional, de acordo com a legislação vigente.

Conforme a administração do Pejag, o desempenho produtivo está diretamente relacionado ao aproveitamento integral da matéria-prima. Os absorventes são confeccionados a partir dos retalhos remanescentes da produção de fraldas, estratégia que otimiza recursos e reduz desperdícios.

O titular da SSPS, Cesar Kurtz, destaca o alcance social da iniciativa: “A reativação desta fábrica demonstra, de forma concreta, que o sistema penal pode e deve cumprir sua função social para além da custódia. Ao promover trabalho remunerado e qualificação profissional aos apenados, fortalecemos o processo de ressocialização e, simultaneamente, atendemos a uma demanda essencial da comunidade”.

Ele acrescenta: “Trata-se de uma política pública que alia responsabilidade social, eficiência administrativa e dignidade humana, gerando impacto direto na saúde pública do município e reafirmando o compromisso do Estado com a reintegração social.”

Aprimoramento

Instalada em sala com mais de 20 metros quadrados, a linha de produção conta com tecnologia de ponta, incluindo sistema automatizado de recorte, dobra e aplicação de adesivos, conferindo maior eficiência e padronização ao processo de confecção.

O setor técnico do presídio informou que, desde setembro do ano passado, a fábrica foi transferida para novo espaço, mais amplo e arejado, dotado de sanitários e infraestrutura aprimorada. À época, além da realocação física, houve capacitação específica para o manuseio dos equipamentos e visita técnica para aprovação do ambiente e compra dos insumos.

Impacto positivo

O titular da 5ª Delegacia Regional da Polícia Penal, Eduardo Vieira, enfatizou o impacto direto da iniciativa na rede pública de saúde:

“Ao assegurar o fornecimento regular de fraldas e absorventes à rede municipal, contribuímos de maneira efetiva para a continuidade do atendimento a públicos vulneráveis, especialmente idosos, crianças e pessoas em situação de enfermidade. Essa parceria fortalece a política de assistência farmacêutica do município e reduz riscos de desabastecimento, garantindo dignidade aos usuários do sistema de saúde”.

(Marcello Campos)

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