Domingo, 13 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de setembro de 2026
O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, pediu formalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a obra de proteção contra enchentes nos bairros Guarujá e Serraria (Zona Sul) seja incluída no Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece). A solicitação consta em ofício entregue durante encontro realizado sexta-feira (11) na Base Aérea de Canoas.
No documento é sublinhada a necessidade de R$ 350 milhões para as obras em si, bem como desapropriações, indenizações e reacomodação de famílias. Melo declarou na ocasião:
“Com recursos e empenho de todos, erguemos em tempo recorde uma grande obra de proteção na Zona Norte. Agora, queremos que essa parceria siga para a construção de uma solução definitiva para o Guarujá e Serraria, onde temos o desafio de criar um sistema do zero, mas sem impedir a relação que hoje existe dos moradores com o Guaíba”.
Construído na década de 1960, o sistema contra cheias da capital gaúcha se estende do bairro Sarandi, na Zona Norte, até o Cristal, na Zona Sul – nesta última, o restante da orla está desprotegida. Em outubro de 2024, uma empresa de consultoria contratada pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) apresentou três alternativas tecnicamente viáveis para a região: construção de muro, elevação da avenida Guaíba ou da Praça Zeno Simon.
Nos três cenários propostos, além das obras, serão necessários recursos para o acolhimento de famílias, desapropriações e o pagamento de indenizações. A estimativa preliminar indica que os recursos podem chegar a cerca de R$ 350 milhões.
Enquanto não há execução das obras definitivas, o Dmae atua com ações de contingência para proteção do bairro. Em agosto, foram instaladas barreiras móveis que permitem a construção rápida de diques provisórios para conter a entrada da água em áreas suscetíveis a inundações.
O Dmae também adota como medida o bloqueio físico de parte das redes e canais de drenagem que se conectam ao Guaíba. Neste caso, bombas móveis são instaladas na região para permitir a retirada da água da chuva que cai nas vias. Diretor-executivo do órgão, Alex Souza ressalta:
“Estamos avaliando com rigor técnico qual das alternativas melhor equilibra proteção, custo e menor impacto para os moradores. Até que a obra definitiva seja viabilizada, seguimos reforçando as medidas de contingência na região”.
Reunião
O encontro na Base Aérea de Canoas foi realizado no início da tarde, logo após o desembarque de Lula, que estava no Rio Grande do Sul para o primeiro comício gaúcho de sua campanha à reeleição, tendo como palco o Largo Glênio Peres, no Centro Histórico de Porto Alegre, no início da noite. Uma multidão lotou o local.
Ainda no que se refere à reunião, também participaram o governador Eduardo Leite e os prefeitos Airton Souza (Canoas) e Juliana Carvalho (Eldorado do Sul), além da ministra Miriam Belchior (Casa Civil), dentre outras autoridades. Pauta: a construção de um dique para proteger Eldorado do Sul das cheias. Lula confirmou que os mais de R$ 1 bilhão necessários à obra contarão com R$ 700 milhões do governo federal.
A ministra apresentou dados indicando que, desde as enchentes históricas de maio de 2024, o governo do petista já destinou quase R$ 90 bilhões do orçamento federal e de financiamentos destinados ao Rio Grande do Sul – ao menos 94% desses recursos já foram executados.
Esse montante se soma a R$ 28 bilhões decorrentes da suspensão dos juros da dívida estadual. E a outros R$ 15,1 bilhões depositados no Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).
(Marcello Campos)