Sábado, 02 de março de 2024

Preocupação ambiental e noções de sustentabilidade ganham cada vez mais espaço nas escolas

A preocupação ambiental ganha força em escolas e universidades do País. Não só nos currículos e em atividades extraclasse, mas na própria gestão de prédios e campi, com energia solar, reciclagem de papel, uso consciente da água e descarte adequado do lixo. Enfim, um esforço deliberado para abraçar o conceito de sustentabilidade e formar novas gerações comprometidas com a preservação do planeta. Eis uma iniciativa acertada e em sintonia com os desafios do século 21.

Sem dúvida, as mudanças climáticas exigem da educação um protagonismo cada vez maior na conscientização de crianças e jovens acerca dos riscos ambientais − e das respostas que a humanidade haverá de dar para preservar o planeta. Nesse contexto, a combinação de aulas teóricas e vivências práticas faz ainda mais sentido. Afinal, não se trata apenas de saber o que está acontecendo na atmosfera, nos oceanos, na Amazônia ou em outros biomas. As transformações em curso demandam o abandono de hábitos e comportamentos. Uma semente a ser plantada nas novas gerações.

Em entrevista ao Estadão, o meteorologista Carlos Nobre defendeu que o conceito de sustentabilidade seja ensinado em sala de aula desde o ensino fundamental. Não como um conteúdo trivial, mas de maneira a despertar nos mais jovens uma mudança radical de percepção − a ponto de que a sustentabilidade passe a ser encarada verdadeiramente como um objetivo de cada indivíduo e da sociedade. Em outras palavras, uma questão de sobrevivência. Disse ele: “É muito difícil você imaginar que vamos vencer os desafios (…) sem que apareça uma nova geração que não aceite mais um mundo insustentável”.

Primeiro cientista brasileiro eleito para a academia britânica Royal Society, Carlos Nobre tocou em outro ponto essencial: a formação de professores. Tamanha mudança no ensino de temas ambientais requer capacitação docente − uma tarefa para o Ministério da Educação (MEC) e para as secretarias estaduais e municipais. Como bem lembrou o cientista, não basta que as mudanças climáticas constem dos currículos. É por meio dos professores que os conteúdos chegam às salas de aula.

A experiência acumulada por escolas e universidades no País pode ser útil para outras instituições. Em São Paulo, o Colégio Santa Cruz criou seu primeiro comitê de sustentabilidade em 2012 e avançou passo a passo na adoção de painéis solares, coleta seletiva e minhocário. “Não adianta querer fazer tudo de uma vez”, resumiu Guilherme Taunay, engenheiro da unidade. O importante, claro, é começar e não parar − de preferência, mesclando teoria e prática. Uma boa referência são os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), com metas até 2030.

Infelizmente, a comunidade científica prevê o agravamento das mudanças climáticas até o fim do século. Um motivo a mais para que as novas gerações se debrucem, desde logo, sobre temas ambientais. A humanidade tem o duplo desafio de conter o ritmo do aquecimento global e de se preparar para cenários potencialmente mais graves. (Opinião/O Estado de S.Paulo)

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