Quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Presa por golpe milionário contra a própria mãe, Sabine Boghici ainda foi quatro vezes à Justiça pedindo partilha de bens

Sabine Boghici, presa desde a última semana em uma operação da Polícia Civil que a apontou como mentora de um golpe avaliado em R$ 725 milhões contra a mãe, de 82 anos, também travava uma intensa disputa judicial contra ela para obter o restante do patrimônio deixado por seu pai, o colecionador e marchand Jean Boghici, que morreu em 2015.

Foram quatro ações, a primeira iniciada em agosto de 2021, meses depois da idosa ter fugido do cárcere privado imposto por Sabine com a ajuda das falsas videntes Rosa Stanesco, Diana Rosa Stanesco, Jacqueline Stanescos, e ainda de Gabriel Nicolau e Slavko Vuletic.

Em um dos processos, Sabine tentou demover a mãe da posição de inventariante da herança do pai. Em outro, tentou reaver um apartamento em Copacabana, e até os animais que seriam da família. Todas sem sucesso.

Assim como Sabine, Gabriel Nicolau, Rosa e Jacqueline Stanescos foram presos, acusados de estelionato, roubo, extorsão, cárcere privado e associação criminosa. A polícia ainda procura Diana e Slavko, que estão foragidos.

Segundo a Polícia, Sabine e as falsas videntes se associaram para levá-la a fazer transferências que chegaram a R$ 5 milhões, a pretexto de pagar supostos “trabalhos espirituais”. Quando a vítima passou a se recusar a transferir dinheiro, seu patrimônio em obras de arte, com quadros de artistas como Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral – , passou a ser roubado, enquanto a idosa ficava em cárcere privado.

A operação policial recuperou parte dos quadros em um apartamento em Ipanema, na zona sul carioca, onde estavam alguns acusados. Uma das obras que foram desviadas pela quadrilha é Sol Poente, de Tarsila do Amaral, avaliada em R$ 300 milhões. Ao todo, o golpe foi de mais de R$ 720 milhões.

Golpe

A Polícia Civil do RJ afirma que Sabine elaborou todo o plano, no início de 2020. O primeiro passo foi contratar uma mulher para abordar a mãe no meio da rua e alertá-la sobre uma morte iminente na família — no caso, a da própria filha.

Essa mulher, que se disse vidente, levou a idosa a outras duas comparsas, apresentadas como uma cartomante e uma mãe de santo, que confirmaram a previsão e lhe sugeriram pagar por “um trabalho” para salvar a filha.

Assustada, a mãe contou tudo para a filha. Sabine, então, prosseguiu com o plano e fingiu ficar apavorada, suplicando para a mãe fazer o trabalho espiritual. A mãe obedeceu e fez, em um intervalo de 15 dias, pagamentos que totalizaram R$ 5 milhões.

Depois do início do “tratamento espiritual”, Sabine começou a isolar a mãe dentro de casa, dispensando funcionários e prestadores de serviços domésticos.

No início de fevereiro, contudo, a mãe de Sabine começou a perceber que a filha tinha relação com as ditas videntes e parou de fazer os repasses. Sabine começou a agredir e ameaçar a própria mãe, que só então percebeu o plano.

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