Terça-feira, 08 de setembro de 2026

Presidenciável Augusto Cury faz aceno ao ministro do Supremo André Mendonça em ato no Rio de Janeiro

O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) reuniu apoiadores em uma “Caminhada da Independência” em Copacabana nessa segunda-feira (7). Em cima de um trio elétrico, no final do ato, o escritor discursou contra a polarização do país, lançou frases de efeito em defesa da família brasileira e enviou apoio ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Antes de acabar, eu queria enviar um abraço muito especial ao Doutor André Mendonça”, afirmou Cury, no final do discurso, sem se aprofundar no assunto.

A declaração ocorreu em meio à escalada de tensão no STF após os desdobramentos provocados pela nova revelação de conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e o ministro do Supremo Alexandre de Moraes. A informação está em relatório da Polícia Federal (PF) produzido por determinação de Mendonça, relator das investigações sobre o banco.

O ato reuniu 1,4 mil pessoas no momento de pico (entre 1,3 mil e 1,6 mil, considerando a margem de erro). A estimativa de público foi feita pelo grupo Monitor do debate político, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) — coordenado por Pablo Ortellado e Márcio Moretto, da Universidade de São Paulo (USP) —, em parceria com a ONG More in Common. A maior parte do público era formada por cabos eleitorais organizados por candidatos a deputado do Avante.

Após o discurso, em rápida fala com a imprensa, Cury defendeu “transparência” e “independência” no STF.

“Eu defendo que o ministro André Mendonça e o ministro Fachin possam ter independência para investigarem qualquer ato de corrupção”, disse Cury, sem mencionar o nome de Moraes.

O candidato do Avante frisou que toda investigação deve ser realizada, “doa a quem doer”.

“Todo funcionário público, eleito ou não, tem um patrão: o contribuínte. E ele quer satisfação. No STF ninguém deve ser poupado. Tem que ser investigado e, se não for provado nenhuma culpa estão livres. Mas, se tiver, tem que haver condenação.”

Questionado se alguém estaria sendo “poupado” no Caso Master, Cury tergiversou e repetiu a mesma explicação anterior.

O candidato também comentou o tarifaço dos EUA. Segundo ele, a medida adotada por Donald Trump é motivada pela dívida pública dos EUA, de mais de 122% do PIB. Cury mencionou uma dívida de 40 milhões de reais, e depois de dólares, durante a resposta. Como resposta do Brasil, ele defendeu que é preciso ser “pacífico”, mas sem ser “subserviente”

“Por de trás dessa taxação de Trump que está prejudicando a pauta de exportações, não apenas do Brasil, mas de quase todo o Mundo, há um desespero por solucionar a equação financeira deles. Mas, honestamente dizendo, nós não podemos ser subservientes. O Brasil é um país pacífico, o Brasil tem embaixadores notáveis, diplomatas notáveis. Seremos pacíficos, mas não seremos subservientes em hipótese alguma.”

Ainda no tema da política externa, Augusto Cury falou sobre o BRICS e disse que quer conversar com Javier Milei, presidente da Argentina.

“Nós vamos manter o BRICS no meu governo, mas nós temos que fazer algumas adaptações. Muito provavelmente alguns países que tiverem condições para fazer negociação isolada com outro país, terão essa liberdade. Eu quero conversar com o Javier Milei, eu quero conversar com os presidentes dos países do BRICS. Vamos falar sobre isso.”

Fora da polarização

O mote do discurso de Cury em Copacabana foi a luta contra a polarização política e pela “pacificação” do Brasil.

“Mentiram para nós que estamos em dois barcos. Temos um barco só, chamado família brasileira. O país está dividido, o país está polarizado, o país vive uma guerra de egos”, disse o candidato, que abusou das frases de efeito. “Quem tem medo de chuva é quem nunca plantou uma horta. E com muito respeito, o Flávio Bolsonaro e o Lula da Silva nunca plantaram uma horta e querem definir o futuro da agricultura no Brasil.”

Em termos de propostas, Cury destacou planos de financiamentos para o agronegócio e microempresas e de combate ao feminicídio, mas sem citar a ideia dos drones, que viralizou no Jornal Nacional. Ele fez referência também à sua própria fortuna, ao dizer que não precisa do dinheiro da política. Escritor de sucesso, ele disse que doaria seu salário de presidente para o financiamento de duas microempresas de alunos de escolas públicas por mês.

Mais cedo, em sabatina na Jovem Pan News, Augusto Cury defendeu a discussão de impeachment de ministros do STF, no Congresso, alem de defender a revisão de supostos abusos em condenações pelo 8 de janeiro. (Com informações do jornal O Globo)

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