Terça-feira, 08 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 7 de setembro de 2026
O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) cobrou que o STF (Supremo Tribunal Federal) volte a “ser uma Corte que tenha credibilidade”. Durante agenda de campanha em Aparecida de Goiânia (GO), no domingo (6), Caiado ainda disse que, caso eleito, indicará quatro mulheres à Suprema Corte.
“O Supremo Tribunal Federal, ele tem que voltar a ser uma Corte que tenha credibilidade em toda a população. É inaceitável, é inadmissível. Em tudo aquilo que lhe é à tona, ainda o ministro Alexandre Moraes continuar ali, dando decisões, julgando o processo, sendo que o que tornou o público não o credencia mais a fazer parte do colegiado”, disse o candidato apoiando que Moraes deixe o cargo.
Sobre a indicação de mulheres às cadeiras no STF, Caiado justificou dizendo que nunca se vê ministras “constrangerem o Brasil”.
“Eu terei ali (na Presidência) a possibilidade de indicar quatro vagas de Supremo. E as quatro serão indicadas por mim e serão mulheres que estarão assumindo o Supremo Tribunal Federal. Você nunca viu ali as mulheres que compõem ou que passaram por lá, constranger o Brasil com qualquer situação como essa que nós estamos vendo hoje”, disse o candidato.
As declarações foram dadas em meio a críticas às informações de um relatório da PF (Polícia Federal), que teve sigilo derrubado pelo ministro do STF André Mendonça, que revelou uma mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, ao ministro Alexandre de Moraes.
Crise no Supremo
Uma investigação sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o extinto Banco Master e as empresas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro causou uma crise que atingiu o Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal (PF), o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto na última semana.
A crise começou após a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, encontrar conteúdos no celular do empresário que acabou levando a investigação para dentro das principais instituições do sistema de Justiça.
O ponto de virada ocorreu na última terça-feira (1º), quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de relatórios produzidos, a seu pedido, pela Polícia Federal. Os documentos tinham mensagens e informações que citavam autoridades de diferentes órgãos, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, integrante do STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Parte dos relatórios divulgados pela PF mostrava um troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro e aponta uma relação de proximidade entre eles à época dos fatos investigados. Segundo a PF, as mensagens incluem conversas sobre operações policiais e pedidos de encontros.
A crise teve uma reviravolta nos dias seguintes à divulgação dos relatórios, quando Moraes levantou questionamentos sobre determinadas diligências autorizadas por Mendonça e sobre a postura dele em negociações de acordos de colaboração no âmbito dos casos Master e do INSS.
Moraes pediu, portanto, a abertura de uma investigação sobre a atuação de Mendonça. Para embasar o pedido, o ministro citou relatórios de inteligência da PF, segundo ele, com indícios de assimetria na condução de investigações e possível direcionamento de apurações. Entretanto, os documentos trazem uma ressalva importante: não têm caráter probatório e não podem ser usados como prova judicial. (Com informações da CNN Brasil e do portal de notícias g1)