Quinta-feira, 30 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 30 de julho de 2026
A participação na convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro como candidato ao Planalto marcou a intensificação da ofensiva do presidente da Argentina, Javier Milei, a autoridades brasileiras. Desde o último sábado (25), quando foi realizado o evento, o ultraliberal enfileirou 44 postagens nas redes sociais com ataques a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorrerá à reeleição contra Flávio, e a nomes como o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A média de quase 15 publicações diárias com esses viés contrasta com toda a semana anterior ao ato partidário, quando Milei havia compartilhado apenas um único conteúdo similar.
O argentino é usuário ativo do X, onde acumula quase 390 mil posts. A maior parte do material, no entanto, é composta por republicações, quando o perfil divide com os seguidores conteúdos criados por terceiros — modalidade que também prevalece, com sobras, nos ataques a Lula.
Milei compartilhou, por exemplo, postagens que responsabilizam o Brasil por uma suposta campanha contra a Argentina durante a Copa do Mundo, versão que ele já havia sustentado, sem apresentar provas, ao discursar na convenção do PL. Na terça (28), o aliado da família Bolsonaro usou o X para passar adiante a entrevista de um condenado pelos atos golpistas do 8 de Janeiro — que cumpre prisão domiciliar na nação vizinha após fugir do Brasil — a um canal de YouTube local. Na conversa, Wellington Luiz Firmino alegou ser alvo de “perseguição” promovida por uma suposta “ditadura” instaurada no país natal.
Em momento anterior, Milei endossou o post de um influenciador argentino, que sustentava que definir Lula como ladrão “não é motivo de ofensa, é só chamar as coisas pelo nome”. A publicação lembra a condenação do petista na Lava-Jato, anulada pelo STF.
As mesmas redes amplamente exploradas por Milei, porém, registraram recepção majoritariamente negativa no Brasil à participação do argentino no ato do PL. Um levantamento da Ativaweb DataLab analisou 158 mil menções ao tema entre sábado e segunda-feira (27), detectando que 84,3% das manifestações apresentaram tom de reprovação, contra apenas 5,2% de apoio. Segundo a análise, termos como “ingerência”, “irresponsabilidade” e “desrespeito ao Brasil” dominaram as críticas.
“Milei veio ao Brasil para fortalecer um palanque, mas terminou fortalecendo a rejeição ao próprio nome. Ele conquistou atenção, não aprovação”, avalia Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab.
Caiado
Em meio à ofensiva de Milei, o também presidenciável Ronaldo Caiado (União), que disputa votos à direita com Flávio, repreendeu a postura do presidente argentino. O ex-governador de Goiás, no entanto, estendeu as críticas à diplomacia do governo Lula.
“Não se governa na esculhambação. (…) O outro vem aqui e faz escândalo e de repente se acha no direito de xingar o presidente, xingar ministro”, disse Caiado ao jornal Correio Braziliense, acrescentando que o Itamaraty teria perdido autonomia nas gestões petistas. “Quando você não tem uma diplomacia brasileira, aquilo que já foi o maior orgulho para nós, (acontece isso).” (Com informações do jornal O Globo)