Segunda-feira, 17 de junho de 2024

Presidente do Banco Central diz que precisamos focar em reformas estruturais, e não só em juros

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nessa sexta-feira (19) que o País precisa se focar em promover mais reformas estruturais para reduzir a taxa neutra de juros e aumentar o crescimento potencial do Produto Interno Bruto (PIB). Ele participou de evento organizado pelo BC, em São Paulo.

“Nós falamos demais, gastamos muito tempo, e é nosso trabalho no Brasil (discutir) a taxa Selic, se vai subir, cair, o que vamos fazer. Mas, quando olhamos para além disso, precisamos focar nas reformas estruturais”, afirmou Campos Neto.

Ele defendeu que o crescimento estrutural do Brasil vem em queda e disse que o equilíbrio entre dívida mais alta, juros neutros elevados e baixo PIB potencial é muito negativo para o Brasil.

Campos Neto afirmou que o custo econômico de se levar a inflação para a meta pode ser o grande tópico econômico daqui para a frente. Ele disse que ainda há dúvidas sobre qual o nível no qual a inflação vai parar no mundo, se perto das metas ou além.

O presidente do BC defendeu o sistema de metas de inflação e disse ser necessário promover a convergência. “As metas de inflação serviram bem, e precisamos perseverar na inflação. Precisamos garantir que vamos trazer a inflação às metas”, disse.

Economia mais forte

Os números melhores do que o esperado da economia brasileira no primeiro trimestre estão levando bancos e consultorias a projetar um resultado mais positivo para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2023. Se na virada do ano, a expectativa era de um crescimento abaixo de 1%, as novas previsões estão migrando para um faixa entre 1,5% e 2%.

A divulgação do Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) reforçou um cenário melhor para a economia brasileira. Conhecido como uma prévia do PIB , o índice avançou 2,41% no primeiro trimestre, o terceiro maior ganho para o período na série histórica do BC.

“Os dados, de maneira geral, mostram que a economia continua mais resiliente do que se imaginava”, afirma Gustavo Arruda, diretor de Pesquisa para América Latina do BNP Paribas.

São vários os motivos que explicam o resultado da economia brasileira neste início de ano:

– O primeiro deles tem a ver com o desempenho do setor agropecuário. A safra agrícola de 2023 deve totalizar um recorde de 302,1 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 14,8% na comparação com 2022, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O carro-chefe certamente será (o PIB da) agropecuária, com alta de 8,3% no trimestre e pouco mais de 6% na comparação com o quarto trimestre [de 2022]”, escreveu em relatório o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. A consultoria aumentou a estimativa de crescimento deste ano de 1% para 1,3%.

– Segundo, serviços e varejo também se mostraram resilientes e cresceram acima do esperado. Em março, por exemplo, esses setores avançaram 0,9% e 0,8%, respectivamente.

“O consumo veio mais forte do que a gente imaginava”, afirma Alessandra Ribeiro, sócia e economista da consultoria Tendências. “E isso ocorreu pelo impacto da transferência social com o Bolsa Família, a resiliência do mercado de trabalho formal e a desaceleração da inflação”, diz. A Tendências ainda trabalha na revisão dos números, e deve subir a expectativa de crescimento do PIB neste ano de 1% para algo próximo de 1,4%.

– E, por fim, a economia global está com um desempenho melhor do que o esperado. Nos Estados Unidos, por exemplo, a economia ainda dá sinais de força, apesar do aperto monetário. E na Europa, também há uma revisão positiva dos números de crescimento diante de um menor impacto da crise energética e dos incentivos fiscais promovidos pelos países.

“Não só o Brasil demonstrou resiliência nesse início de ano, mas também os Estados Unidos, Europa e a China, após a pandemia de Covid-19″, diz Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank. O banco projeta um crescimento do PIB 1,5% neste ano, mas coloca um viés de alta nessa previsão.

Um desempenho da economia também já é incorporado pelo governo. Na quinta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que sua equipe de economistas está revisando a expectativa de crescimento da economia neste ano de 1,6% para 1,9%.

“É possível 2% (de crescimento em 2023)? Sim, mas, hoje, a projeção de 1,4% é mais condizente com a nossa realidade e a realidade do que vem acontecendo lá fora”, diz Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. Antes da divulgação do IBC-Br, a casa estimava um crescimento de 0,7% para o PIB deste ano.

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