Sábado, 22 de junho de 2024

Presidente do Banco Mundial diz que desaceleração global pode se estender até o ano que vem

O aperto monetário colocado em marcha pelos principais bancos centrais para tentar controlar a alta da inflação pode deflagrar um cenário de recessão global em 2023, alertou o Banco Mundial em relatório divulgado na semana passada.

O estudo adverte para o crescente risco de crises financeiras em economias emergentes e em desenvolvimento. Segundo estimativas da entidade, para controlar a escalada dos preços, os BCs ao redor do mundo terão que subir juros em uma média de 2 pontos porcentuais.

Se acompanhado por estresse nos mercados financeiros, esse ritmo desaceleraria o crescimento do PIB do planeta a 0,5% em 2023 e de 0,4% em termos per capita. Esse resultado cumpriria os critérios técnicos para definir uma recessão.

O documento destaca ainda uma série de evidências que apontariam para um quadro recessivo no horizonte. Segundo a análise, a economia global registra a mais acentuada desaceleração desde os anos 1970.

Economia brasileira

O Brasil ocupa a 32ª posição em um ranking de crescimento econômico de 50 países nos últimos três anos. Entre 2019 e 2021, o PIB brasileiro cresceu 0,59% ao ano, ante média mundial de 1,54%, de acordo com cálculos do economista Sergio Gobetti a partir de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Nesse período, que abarcou os anos da pandemia da covid, a economia dos Estados Unidos cresceu 1,45% ao ano; os países da Zona do Euro, 1,25%; e a Ásia, 2,17%.

A China, epicentro da pandemia, cresceu 5,4% ao ano no último triênio. As comparações contrariam argumentos da atual equipe econômica, que tem ressaltado dados favoráveis sobre a economia brasileira em ano eleitoral.

A situação é ainda pior quando se analisa a média em dez anos (2012-2021): avanço de 0,33% ao ano, quinto pior desempenho entre 50 países, à frente apenas de Grécia, Ucrânia, Argentina e Itália.

“Costumávamos falar que os anos 1980 haviam sido a década perdida pelo fato de a economia brasileira ter crescido menos de 2% ao ano, mas agora descobrimos que a verdadeira década perdida é a que estamos vivendo”, diz Gobetti.

Mesmo que o PIB cresça perto dos 3% estimados pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, o ritmo será inferior ao do resto do mundo, segundo projeções do FMI, que estima expansão de 3,2% para a economia mundial em 2022.

Oficialmente, o Ministério da Economia projeta alta de 2,7% neste ano. A série histórica do FMI revela que, em comparação à economia global, a melhor fase para o País nas últimas duas décadas foi na segunda metade dos anos 2000, entre 2007 e 2010, quando o PIB brasileiro cresceu 4,6% ao ano, ante 1,87% no mundo.

O resultado veio a despeito da crise de 2008, devido à combinação entre uma grande expansão do mercado consumidor doméstico e o “boom” das commodities.

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