Quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Produtores em foco: quando gestão vira sobrevivência

Na 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, em Capão do Leão, os produtores não foram apenas ouvintes: subiram ao palco para mostrar que a transformação do campo começa dentro da porteira. O painel “Produtores em Foco: Experiências que Geram Valor” trouxe exemplos que desafiam a lógica tradicional e apontam caminhos para 2026.

O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, foi enfático: “A troca de experiências e a abertura a novas perspectivas ampliam horizontes e estimulam soluções aplicáveis às propriedades”. O recado é claro: quem não se abrir à inovação ficará para trás.

O produtor de algodão Alexandre Pedro Schenkel mostrou que organização e eficiência mudam destinos. “Hoje produzimos cinco vezes mais algodão, chegando a 4 milhões de toneladas, cerca de dez vezes mais do que na década de 70, em uma área duas vezes menor. Somos um dos maiores exportadores do mundo, ultrapassando os Estados Unidos”, afirmou. O dado é contundente: o Brasil não apenas cresceu, mas se reposicionou como potência global, sustentado por rastreabilidade e compliance.

Na sequência, a engenheira agrônoma Fernanda Falcão trouxe a prática que salva margens em tempos de estiagem. “Nossa estratégia foi adotar o sistema de plantio direto. Nunca ficamos sem cultura de cobertura. Aprendemos a controlar a erosão e, com a estiagem, conseguimos reter a água da chuva”, relatou. A lição é provocativa: tecnologia não é luxo, é sobrevivência.

Os números e relatos mostram que o futuro do campo gaúcho não será definido apenas por preços internacionais ou políticas públicas, mas pela capacidade de cada produtor de transformar sua propriedade em laboratório de eficiência. O algodão que supera os EUA e a semente que retém água em declive são símbolos de um agro que não espera soluções externas: cria as próprias.

O painel deixou uma mensagem incômoda e necessária: em 2026, quem não investir em gestão, inovação e sustentabilidade corre o risco de ficar fora do jogo. O campo não é mais apenas lavoura — é estratégia, tecnologia e visão de futuro. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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