Domingo, 21 de junho de 2026

Protestos na França: prejuízos chegam a 28% para hotéis de Paris. Veja como o caos afeta os turistas brasileiros

As irmãs Isabela, 26 anos, e Ana Luiza Pureza, 32, estavam em Paris há apenas 24 horas quando a capital francesa foi tomada por fortes protestos contra a reforma da Previdência – aprovada há duas semanas sem aval dos deputados por meio de uma manobra controversa do presidente Emmanuel Macron. Durante os seus sete dias de viagem, as famosas paisagens da Cidade Luz dividiram espaço com toneladas de lixos, ratos mortos e caos no transporte público.

“Os protestos viraram parte do cenário”, brincaram as brasileiras, que visitavam Paris pela primeira vez.

Os imprevistos causados pela convulsão social, porém, foram além do cheiro desagradável nas ruas – resultado das três semanas de greve dos garis que acumularam 10 mil toneladas de lixo em Paris. Na terça-feira, quando 93 mil manifestantes foram protestar novamente contra a reforma de Macron na capital francesa, turistas que tentaram visitar atrações como Torre Eiffel, Arco do Triunfo, museu do Louvre e Palácio de Versalhes foram surpreendidos com as entradas fechadas.

“Nossa programação de terça-feira seria o Palácio de Versalhes. Acordamos cedo, fomos até lá, a aproximadamente 1h15 do centro de Paris e, quando chegamos, demos de cara com a porta”, relata Isabela. “Ficamos 1h do lado de fora aguardando uma reunião para decidir [se poderíamos entrar], no frio de 4ºC, e no final resolveram que nenhuma das dependências abriria devido ao movimento nacional.”

Apesar da frustração, elas contam que a viagem foi melhor do que o esperado na maior parte do tempo e que desejam voltar algum dia, embora não saibam quando, e se será possível.

“Fomos embora sem Versalhes, [o Centro Georges] Pompidou e alguns restaurantes que queríamos ter ido”, disseram. “Ficamos angustiadas, pois foi uma viagem muito esperada, programada e que de certa forma não foi completa. Sabemos que teria sido uma experiência diferente se o momento fosse outro.”

Impactos no turismo

Destino mais procurado entre viajantes no mundo, segundo ranking da Euromonitor International, o turismo em Paris também sente os impactos da onda de protestos e paralisações que tomaram a França desde 19 de janeiro, quando a proposta de reforma previdenciária foi apresentada. Segundo dados divulgados pelo canal de TV francês BFM, a taxa de ocupação caiu 25% em média na capital francesa durante os dias de paralisação.

Os hotéis parisienses também anunciaram uma perda média de faturamento de 14% nos últimos dois meses de protestos, segundo a consultoria MKG. Em 23 de março, quando houve as maiores manifestações, com mais de um milhão de pessoas nas ruas em toda a França, essas perdas chegaram a 28% na capital e 13% na região metropolitana.

Muitos foram obrigados a fechar as portas nas principais cidades francesas. Outros sofreram “cancelamentos de 20% a 50%” nas reservas durante esses dias, informou Franck Delvau, presidente do Sindicato das Indústrias de Comércio e Hotelaria da Île-de-France, a região administrativa onde fica Paris.

A brasileira Bárbara Arbex, de 36 anos, esteve em Paris com o marido e o filho de 5 anos no início do mês e conta ter testemunhado um cenário que causou “medo”.

“Presenciamos dois protestos: o primeiro foi no Palácio de Versalhes, onde soltavam bombas e ateavam fogo durante o dia. O segundo foi perto do nosso hotel, estávamos saindo de um restaurante à noite próximo ao local e havia muita polícia, vários carros em comboio”, descreveu. “Nesse dia o clima ficou bastante pesado. Notamos também a presença do Exército nas ruas e em centros comerciais.”

Segundo Bárbara, o cenário também impactou a logística de deslocamento até as atrações, com muita lentidão nos transportes públicos devido à redução de linhas operando. Os imprevistos se mantiveram até o último dia da viagem, na última quinta-feira, quando a França registrou as maiores manifestações desde o início da onda de protestos.

“Precisamos mudar a logística porque o Uber não conseguiu nos pegar perto do hotel [por causa das manifestações], tentamos umas três vezes”, contou. “Com isso, precisamos andar com as malas e nosso filho por dois quarteirões até encontrar um táxi na avenida principal.”

Prejuízos para comerciantes

Com as manifestações, o comércio sofreu quedas diárias de 19% em média em toda a França desde 23 de março, segundo a Aliança do Comércio. Em Paris, a capital, esse número chegou a 20%, enquanto Rennes, noroeste, registrou perdas de 60%.

“Os comerciantes, donos de restaurantes e cafés estão divididos entre o desespero e a exasperação”, declarou Olivia Grégoire, ministra do Turismo, na segunda-feira. “Tenho que ser otimista, mas continuo atenta e vigilante. Espero que essas quedas não se confirmem em abril. Se os números se repetirem durante várias semanas, o impacto será muito preocupante.”

As Câmaras de Comércio e Indústria (CCI França) lamentaram na sexta-feira o impacto econômico das “violentas” manifestações e “bloqueios” para o comércio: “Após a crise sanitária e num período marcado pela inflação e dificuldades de abastecimento, os nossos comerciantes não podem fechar as portas”, afirmaram em nota, lembrando que o comércio local representa 634 mil empresas e 3,5 milhões de postos de trabalho em todo o país.

Em janeiro, o economista Marc Touati estimou no site Capital que “o custo de uma greve forte representa cerca de 20% menos atividade em nível nacional”. Com um PIB francês de 2,55 trilhões de euros em 2022, cada dia útil representa um PIB de cerca de 10 bilhões de euros. “Ou seja, um custo de cerca de 2 bilhões de euros” por dia de greve, concluiu o economista.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Papa deve ficar internado por “alguns dias” para tratar infecção respiratória
Organização Mundial da Saúde muda recomendações sobre vacinas anticovid, aconselhando vacinação primária e um reforço
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play