Sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Putin diz que a guerra continuará, faz nova ameaça nuclear e afirma ser impossível vencer as tropas russas

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta terça-feira (21) que continuará a lutar na guerra da Ucrânia, que em poucos dias completa um ano e fez uma nova leva de ameaças, incluindo nucleares. Em um raro discurso presencial – só feito em momentos estratégicos ao longo da guerra -, Putin disse que a guerra continuará e que seu país tem “todos os recursos” para seguir lutando.

O presidente russo falou por mais de uma hora e meia a um auditório formado por ministros, membros do Parlamento russo e das Forças Armadas do país, dias antes de a invasão ao país vizinho completar um ano. Disse que gostaria de resolver o conflito com a Ucrânia pacificamente, mas países ocidentais armaram outro cenário às costas da Rússia.

“Nós fizemos tudo possível, genuinamente tudo possível, para resolver esse problema (na Ucrânia) de maneira pacífica. Fomos pacientes, estávamos negociando pacificamente para sair deste difícil conflito, mas um cenário completamente diferente estaca sendo preparado por trás de nossas costas”, disse o presidente russo.

Resposta a Biden

Putin anunciou ainda a suspensão da participação russa no último tratado de controle de armas nucleares feito com os Estados Unidos, alertando Washington de que a Rússia colocou novas armas nucleares estratégicas à disposição para combate. Ele ainda alegou ainda que a guerra é resultado de uma busca dos países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, por um “poder ilimitado” nos assuntos mundiais.

O discurso de Putin acontece um dia depois de uma visita inédita do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a Kiev. Biden andou pelas ruas da capital ucraniana com o Zelensky e, ao lado do líder ucraniano, anunciou uma ajuda extra de US$ 500 milhões (mais de R$ 2,5 bilhões), que se somam aos quase US$ 50 bilhões oferecidos anteriormente pelos EUA à Ucrânia.

A fala de Putin foi vista como uma resposta à viagem de Biden.

Reações

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, viu o discurso como um sinal de que Putin “está se preparando para mais guerra”. Ele disse ainda estar preocupado com a possibilidade de que a China esteja se planejando para apoiar militarmente a Rússia.

Kiev respondeu ao discurso com ironia. Mykhailo Podolyak, assesso do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que fala de Putin mostrou que líder russo “perdeu a noção da realidade”.

“Ele (Putin) chegou a um beco sem saída, e qualquer coisa que ele faça só vai piorar sua situação. As elites russas vão se irritar com ele e começar a duvidar sua habilidade para comandar o país”, declarou.

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