Quinta-feira, 21 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 20 de maio de 2026
Os corpos dos dois últimos mergulhadores italianos desaparecidos em uma caverna subaquática nas Maldivas foram recuperados nesta quarta-feira, encerrando uma operação de busca marcada por condições extremas e pela morte de um militar local envolvido no resgate. O grupo havia desaparecido na última quinta-feira durante uma expedição no atol de Vaavu, no arquipélago asiático.
Tudo aconteceu depois que os visitantes decidiram fazer uma excursão no atol, uma das áreas menos povoadas do país e famosa por seus recifes de coral, onde o mergulho é uma das principais atividades.
Segundo os primeiros relatos, publicados pelo portal Edition.mv, os cinco turistas que estavam a bordo do Duke of York, um iate de luxo operado pela empresa Luxury Yacht Maldives, desapareceram durante um mergulho próximo a Alimathaa realizado pela manhã. Acredita-se que eles participavam de uma excursão de turismo científico para explorar a flora e a fauna submarina das cavernas do atol. A tripulação informou o desaparecimento após o grupo não retornar à superfície ao meio-dia.
As principais hipóteses
Embora a causa das mortes ainda seja desconhecida, as hipóteses apontam para um problema na mistura de oxigênio dos cilindros, condições climáticas adversas, correntes térmicas repentinas ou perda de orientação em uma fissura da caverna.
Segundo o jornal espanhol El Mundo, a legislação local permite atividades de mergulho em profundidades de até 30 metros. Apesar de não existir uma lei que proíba ultrapassar esse limite, tudo indica que houve uma imersão mais profunda, já que os corpos foram encontrados a quase 50 metros de profundidade.
A informação de que a expedição incluiria a visita a uma caverna submarina não constava na proposta apresentada às autoridades das Maldivas.
Morte de um dos resgatistas
Um mergulhador integrante da Força de Defesa Nacional das Maldivas morreu no sábado em decorrência de descompressão durante as operações de recuperação dos corpos.
O porta-voz presidencial das Maldivas, Mohammed Hussain Shareef, informou que a vítima morreu por “descompressão submarina após ser transferida para um hospital na capital”.
— A morte demonstra a dificuldade da missão — afirmou o porta-voz antes dos trabalhos serem concluídos.
Quem eram os turistas
O primeiro corpo a ser recuperado foi o de Monica Montefalcone, professora de 51 anos de Ecologia da Universidade de Gênova. Também participaram da expedição sua filha, Giorgia Sommacal, de 23 anos; a pesquisadora de Turim Muriel Oddenino; e os instrutores de mergulho Gianluca Benedetti e Federico Gualtieri, de 31 anos.
Montefalcone trabalhava na agência Albatros Top Boat, responsável por excursões científicas no atol e da qual Benedetti era diretor. A professora era reconhecida internacionalmente e liderava campanhas de monitoramento ambiental nas Maldivas. Nos dias anteriores ao acidente, ela participava de programas de pesquisa universitária em Alimathaa.
Gualtieri havia se formado na Universidade de Gênova em março e, em sua tese, agradeceu a Montefalcone por “ter sido sua guia, incentivando-o a seguir seus sonhos e paixões, mesmo quando o caminho era longo e difícil”. Com informações do portal O Globo.