Quinta-feira, 16 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de julho de 2026
Estudos das áreas de odontologia e medicina apontam que entre 70% e 90% das agressões físicas contra mulheres têm o rosto como alvo. O dado foi apresentado pela promotora de Justiça Fabíola Sucasas e ajuda a explicar um padrão observado em casos de violência de gênero: a tentativa de causar danos permanentes à aparência das vítimas.
A promotora também chama atenção para a subnotificação desses casos. Um estudo realizado com 3.193 usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) na Grande São Paulo mostrou que 76% delas haviam sofrido algum tipo de violência. Apesar disso, apenas 3,8% tinham registros dessas agressões nos prontuários médicos.
A pesquisadora Valeska Martins de Oliveira Brasil afirma que os agressores buscam atingir a autoestima das vítimas.
“É uma violência que tem uma pedagogia. O homem, quando atinge a face, está não só dando uma lição nessa mulher, mas tornando ela, vamos colocar assim, ‘estragada’. ‘Você não é minha, mas também ninguém mais vai te desejar’”, disse.
Segundo Fabíola Sucasas, os ataques que provocam desfiguração exigem acompanhamento especializado. “A ideia é agredir e matar com crueldade. Essa desfiguração vai exigir do serviço de saúde determinadas providências. Hoje nós temos uma legislação que obriga o SUS a reparar o dano estético, a reparar o dano, inclusive, psicológico, que essas lesões podem acarretar”, explica.
Em São Paulo, iniciativas como o Instituto Novo Olhar oferecem reconstrução facial, atendimento psiquiátrico e psicológico, orientação jurídica e assistência social a mulheres vítimas de violência. A fundadora da instituição, a médica Carla Góes, afirma já ter atendido 435 mulheres.
“É tudo. Dá para ela dignidade. Dá para ela uma nova chance”, afirmou sobre a recuperação do rosto das pacientes.
Brasil registra um feminicídio a cada 5 horas e 25 minutos no 1º trimestre
Uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil a cada 5 horas e 25 minutos no primeiro trimestre de 2026, em média. De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o país registrou 399 vítimas de feminicídio entre os meses de janeiro e março.
Considerando o monitoramento realizado desde 2015, o ano de 2026 é o mais letal para as mulheres no recorte do primeiro trimestre.
O volume de casos no primeiro trimestre desse ano apresenta uma alta de 7,55% em comparação ao mesmo período de 2025. Em uma década, o número de vítimas no início do ano saltou de 125 em 2015 para as atuais 399, superando inclusive os picos registrados em 2022 (372 vítimas) e 2024 (384 vítimas).
No ano passado, o número de feminicídios bateu recorde no Brasil: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro registrados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O total supera os 1.464 registros de 2024, a maior marca até então. Com informações do portal G1.