Sábado, 23 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de maio de 2026
Quatro em cada cinco idosos brasileiros com quadro de demência não sabem que vivem com a condição, revela um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e publicado na revista científica International Journal of Geriatric Psychiatry em abril. O alto índice de subdiagnóstico já havia sido estimado no Relatório Nacional sobre a Demência, do Ministério da Saúde, de 2024. O novo levantamento teve a participação de mais de 5 mil pessoas no Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil).
Foram analisados 5,2 mil brasileiros com mais de 60 anos, dos quais 392 preencheram os critérios para demência de acordo com testes cognitivos e medidas de comprometimento funcional. No grupo com sinais de demência, 83,1% não tinham diagnóstico prévio – 16,9% já tinham o diagnóstico.
Os pesquisadores avaliaram características sociodemográficas, clínicas, cognitivas e funcionais dos participantes, e descobriram que o subdiagnóstico foi mais frequente em regiões mais pobres (90,2%) do que nas mais ricas (76%), e maior entre indivíduos analfabetos (93,9%).
Diagnóstico
O Ministério da Saúde estima que cerca de 2,5 milhões de pessoas vivam com demência no Brasil. Considerando o porcentual de subdiagnóstico nesse estudo, 2 milhões delas ainda não receberam o diagnóstico.
“O diagnóstico oportuno e preciso, feito quando os sintomas começam a chamar atenção clínica e o comprometimento funcional ainda é limitado, é essencial para o manejo clínico, a educação do paciente e dos cuidadores, o planejamento do cuidado e o acesso a tratamentos e apoio psicossocial”, dizem os autores da pesquisa, no artigo.
Eles destacam ainda que dificuldades de acesso ao sistema de saúde e falhas na formação dos profissionais são alguns dos fatores para o subdiagnóstico, mas ressaltam que, no País, um ponto cultural que agrava a situação é a crença equivocada “de que o declínio cognitivo é uma consequência esperada do envelhecimento”, o que contribui para diagnósticos tardios ou não realizados.
Os pesquisadores afirmam que os resultados do estudo indicam a necessidade de fortalecer as estratégias de detecção precoce da demência na atenção primária à saúde, ampliar a conscientização do público e dos profissionais de saúde sobre a condição, e adotar políticas adaptadas às realidades regionais para reduzir as disparidades no diagnóstico.
Proteção
Algumas atividades podem ser protetivas contra a demência em idosos. Cozinhar em casa pelo menos uma vez por semana pode ser um desses fatores, diminuindo os riscos em até 30%. É o que aponta um novo estudo publicado no periódico científico Journal of Epidemiology and Community Health (JECH).
O benefício se mostrou mais expressivo entre cozinheiros iniciantes ou com poucas habilidades, com redução de até 70% no risco de desenvolver a doença. O resultado, dizem os autores, reforça a importância dos hobbies e do aprendizado contínuo como aliados na prevenção do quadro.
Segundo o estudo, cozinhar não é um ato isolado, mas um processo que envolve planejamento de cardápios, seleção e compra de ingredientes, gestão de orçamento, atenção aos prazos de validade, técnicas motoras e o momento de servir. As tarefas criam uma série de desafios para o cérebro.
Além do trabalho mental, cozinhar envolve, em certa medida, até atividade física. Ir ao supermercado, carregar compras, permanecer em pé durante o preparo e lavar a louça representam uma fonte de movimento diário, especialmente para pessoas idosas. (Com informações de O Estado de S. Paulo)