Sábado, 18 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 18 de abril de 2026
A queda de 9% dos preços do petróleo fez a Petrobras perder um quarto de todo o valor de mercado conquistado desde o início da guerra dos EUA e Israel contra o Irã. Com o recuo de 5,31% das ações ON, e de 4,86% da PN, o valor de mercado da estatal recuou R$ 32,6 bilhões na sexta-feira (17), a maior perda em um só dia desde 15 de maio de 2024. Para os analistas, contudo, a estatal segue com bons fundamentos e gerando caixa, o que tende a tornar a queda de ontem um evento pontual.
O peso dos papéis da Petrobras no Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, fez a Bolsa andar na contramão das Bolsas internacionais, que subiram com as informações sobre a liberação do trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz. Enquanto em Nova York os índices S&P 500, com alta de 1,2%, e o Nasdaq, com 1,52%, renovaram máximas históricas, o Ibovespa fechou em queda de 0,55%, aos 195.733 pontos.
“A semana foi marcada por uma virada significativa no cenário geopolítico global. O que começou com tensão elevada, após o impasse das negociações entre EUA e Irã no Paquistão no fim de semana anterior, evoluiu ao longo dos dias para um ambiente de crescente otimismo com a perspectiva do fim do conflito no Oriente Médio”, diz Bruna Sene, analista de renda variável da Rico.
Apesar disso, com o recuo de 0,81% na semana, o Ibovespa interrompeu ganhos nas três semanas anteriores. No mês, o índice sobe ainda 4,41%, com ganho no ano de 21,48%.
Dólar
A diminuição das tensões levou a uma queda generalizada do dólar nos mercados internacionais. Por aqui, a moeda americana chegou a quase romper o piso de R$ 4,95 pela manhã de sexta, mas reduziu o ritmo de baixa à tarde e fechou a R$ 4,98, em queda de 0,19%.
Para o economista-chefe do grupo CVPAR, Marcelo Fonseca, o comportamento do real reflete uma “acomodação natural” após uma forte rodada de valorização. “Não acho que o movimento de hoje é um sinal de interrupção dessa tendência”, disse.
FMI
A guerra no Oriente Médio deve ter impacto “desigual” na América Latina e no Caribe, mas a inflação tende a subir em todos os países da região, alertou o FMI. Países produtores de petróleo como o Brasil, porém, estão se beneficiando dos preços elevados de energia. Ao mesmo tempo, diante de mudanças nos fluxos de capital e da maior aversão ao risco por parte dos investidores, o organismo recomenda preservar a credibilidade das políticas monetárias e fiscais para atravessar o novo choque.
“O impacto sobre a atividade econômica vai variar muito entre os países, mas o impacto sobre a inflação é mais uniforme. A inflação será maior para todos”, disse o diretor do departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Nigel Chalk, durante as reuniões de Primavera do Fundo, que acontecem em Washington, nos EUA.
O FMI melhorou a expectativa para o PIB da América Latina e do Caribe para uma alta de 2,3% neste ano, 0,1 ponto porcentual acima das projeções de janeiro. Em 2027, o Fundo espera que a região avance 2,7%, previsão que foi mantida. Dentre os destaques de crescimento na América Latina, estão países como Paraguai, Argentina, Equador, Chile e Colômbia. O FMI estima avanço de 1,9% para o PIB do Brasil neste ano, projeção que teve melhora de 0,3 ponto, e 2,0% em 2027.
“Os produtores de petróleo – Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Equador, Guiana, Trinidad e Tobago, Estados Unidos e Venezuela – estão se beneficiando dos altos preços”, disse Chalk. (Com informações de O Estado de S. Paulo)